Por que ele é ‘ôme’: filme “Homem com H” retrata a trajetória artística de Ney Matogrosso e bastidores da vida pessoal
O cantor, interpretado por Jesuíta Barbosa na cinebiografia, participou ativamente do processo de produção do filme, dando seu aval para o roteiro e direção
A cinebiografia Homem com H mergulha na vida de Ney Matogrosso, desde sua infância até se consolidar como uma das figuras mais emblemáticas da música e da cultura brasileira. Natural de Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, o artista enfrentou desde cedo conflitos com o pai, marcados por preconceitos e, sobretudo, pela homofobia. O longa-metragem aborda a relação conturbada entre pai e filho, além de retratar os afetos e amores que marcaram a vida de Ney ao longo das décadas.
A guinada na carreira do cantor aconteceu após deixar a casa dos pais e se mudar para São Paulo. Lá, adotou o nome artístico Ney Matogrosso e se tornou vocalista da banda Secos & Molhados, com a qual emplacou sucessos como Rosa de Hiroshima e Sangue Latino em plena era de repressão da ditadura militar.
Em 1975, Ney deu início à sua carreira solo com o lançamento do disco Água do Céu – Pássaro, após sair do Secos & Molhados. O filme percorre diferentes momentos de sua vida e carreira, com destaque para as relações amorosas. Um dos romances mais comentados de sua vida foi com o também cantor Cazuza. Eles se conheceram em 1979, quando Ney já era um artista consagrado, com 39 anos, e Cazuza ainda não tinha iniciado a carreira. Apesar do relacionamento ter durado apenas quatro meses, Ney define a conexão entre os dois da seguinte forma: “durou pouco, mas foi muito intenso”. A cinebiografia oferece ao público um olhar íntimo sobre Cazuza, a partir da perspectiva de Ney Matogrosso.
A atuação de Jesuíta Barbosa no papel principal tem recebido elogios da crítica e dos espectadores. A performance do ator foi destacada por sua sensibilidade e por conseguir transmitir as múltiplas camadas da personalidade de Ney. “É muito interessante ver como ele transita por diversos acontecimentos, sempre engrandecendo cada um deles, entre os palcos e suas fragilidades, sua interpretação brilha a cada nova camada revelada”, descreveu um usuário no Letterboxd.
O filme demonstra o ímpeto libertário e a inconfundível presença de palco de um ícone artístico e foi lançado no dia 1 de maio em alguns cinemas do país e recebeu 160 mil espectadores na estreia.




