Difícil descansar em paz

Lápides quebradas é apenas um dos problemas nos cemitérios de Itabira

Difícil descansar em paz

Matéria publicada na edição 257 da Revista DeFato.

O ato de vandalismo que resultou na destruição parcial da lápide do ex-prefeito Luiz Menezes, no mês de abril deste ano, trouxe à tona um problema rotineiro nos cemitérios de Itabira. A violação da sepultura no Cemitério do Cruzeiro ganhou repercussão por se tratar de uma fi gura reconhecida no meio empresarial e político, mas diversos outros casos parecidos são registrados pelas autoridades. Fatos que beiram o inacreditável e causam consternação.

Tanto no Cemitério do Cruzeiro quanto no da Paz os vigias contratados para controlar o entra e sai de pessoas não dão conta de evitar invasões, uso de drogas e de bebidas entre os jazigos e até prática de sexo sobre as campas. Deu para notar que impedir a ação de vândalos não é tarefa fácil.

No histórico Cemitério do Cruzeiro falta luz elétrica desde que um caminhão conduzido por um motorista desatento derrubou o padrão da Cemig. Sem iluminação, à noite o local fica muito escuro e se transforma em um ambiente perfeito para a prática de atos ilícitos e libidinosos. Apenas um funcionário trabalha no local e teme represálias por parte dos meliantes, que usam drogas, escondem entorpecentes nas sepulturas, deixam a torneira do lavabo aberta, entre outros atos delituosos.

Como o cemitério está dentro de um bairro residencial, os vizinhos são diretamente afetados. É o caso de Maria Marta, que mora ao lado e já teve de ligar diversas vezes para a Polícia Militar pedindo socorro. Ela conta que certa vez encontrou em seu quintal um cachimbo de crack, provavelmente arremessado por um usuário. Em outra ocasião, teve a cerca viva que delimita sua propriedade incendiada. Por causa dos incômodos constantes, Marta sempre aciona a PM quando percebe movimentação estranha nas imediações de sua residência.

O Cemitério da Paz é bem mais extenso e os problemas também são mais complicados. Como recebe um número maior de sepultamentos, conta com vigia 24 horas, mas, em relação a invasões, pouca coisa esses profi ssionais podem fazer a não ser avisar a Polícia Militar. Em muitos casos, nem dá para perceber se alguém entrou clandestinamente devido à extensão da área, quase do tamanho de um bairro. A cerca que circunda os sepulcros tem diversos buracos, alguns grandes o sufi ciente para passar um animal – em julho de 2012 uma égua caiu dentro de uma cova e morreu. 

Muitas pessoas usam o cemitério como atalho. Outras usam a área dedicada ao descanso daqueles que se foram como bota-fora. Como é muito velha, a cerca recebe constantes reparos, mas é rompida novamente. 

Tentar resolver

O secretário de Desenvolvimento Urbano, Jader Túlio Cristiano Magalhães, disse que a prefeitura tem ciência de todos os problemas. No caso do Cemitério da Paz, ele disse que a proximidade com áreas de assentamentos espontâneos é um agravante. De acordo com ele, é preciso uma ação conjunta para reduzir as invasões e resolver os problemas apontados pela população. Jader afi rma que a cerca deve ter uns 20 anos no mínimo e a forma como  foi construída (estacas de concreto individuais fi ncadas no chão) são pouco eficientes. Na sua visão, um novo cercamento é o ideal, mas isso ainda não está nos planos da prefeitura.

A aposta é na Guarda Municipal, promessa de campanha do prefeito Damon que deve ser cumprida tão logo seja criada a Secretaria Municipal de Ordem Pública. Jader acredita que com mais fi scalização, os crimes de menor potencial ofensivo, como pichações, vandalismo e depredações, vão reduzir substancialmente.

No caso do Cemitério do Cruzeiro, o secretário diz que, por ser menor, não precisará de grandes intervenções físicas. A restauração da iluminação, com mais dois ou três postes, e um reforço na vigilância patrimonial serão suficientes para afugentar os visitantes indesejados. Por se tratar de um cemitério histórico, a prefeitura também não pode mexer muito na estrutura para não descaracterizar a arquitetura. O cruzeiro, que foi retirado porque ameaçava cair, será recolocado com o galo, tudo como era antes.

Invasões, depredações e outros  atos de vandalismo não acontecem apenas nos cemitérios. Conforme o secretário, o município coleciona registros e mais registros de ocorrências policiais de crimes semelhantes no curral e no canil municipais (para onde vão os animais apreendidos), além de parques e praça. No caso do curral, há inclusive caso de pessoas que entraram lá armados e levaram animais que haviam sido recolhidos.

Enquanto a Guarda Municipal não é criada, Jader adianta que a Prefeitura tem uma solução de curto prazo: está em processo de contratação uma empresa de segurança que fornecerá homens treinados para vigiar esses locais conflituosos. Talvez, assim, nossos entes queridos possam descansar em paz.