Ambulante monlevadense ganha fama nas redes sociais por “barraca ostentação”
Anatólio Silva trabalha com mais de 300 tipos de utensílios domésticos
Impossível passar batido por Anatólio Silva, vendedor ambulante de 52 anos que já faz parte da paisagem urbana do eixo Humaitá-Botafogo, no Rio de Janeiro. De segunda a sexta-feira, ele desfila uma espécie de armadura, feita com ralos de diversos tamanhos, para vender mais de 300 utensílios domésticos. Tudo junto e misturado como uma instalação, equilibrada sobre as duas rodas de uma bicicleta de carga, que ele carinhosamente chama de “shopin-bike”.
“É shopin sem o “g” mesmo”, avisa. “O carro-chefe da casa é o ralo”.
Por dia, Anatólio, natural de João Monlevade, vende dezenas de ralos e mais coadores, adaptadores e toda a sorte de utensílios domésticos.
“Tem fita veda rosca?”, pergunta uma jovem loura apressada. “Tem, sim, senhora”, responde de pronto Anatólio.
“Tem anel de silicone, aquele para panela de pressão?”, pergunta um senhor barbudo, com sacolas de supermercado na mão. “Tem, sim, senhor”, responde Anatólio, enquanto procura o item em meio à bagunça organizada.
A clientela não para de chegar.
“O homem de lata salva as velhinhas do Humaitá. Andei a (Rua) Voluntários da Pátria inteira e nada de achar um coador de pano. Só fui encontrar aqui”, conta a banqueteira Aida Pereira, de 73 anos, terceira freguesa em menos de cinco minutos.
Anatólio se mudou para o Rio pela primeira vez há 30 anos. Fez uns bicos aqui e ali, mas resolveu tentar a vida como pescador na Bahia. “Tenho um bom pulmão. Descia até 15 metros de profundidade só de pé-de-pato. A vida de pescador era muito boa, mas não dava dinheiro…”
Em 2007, Anatólio voltou para o Rio e se estabeleceu na Lapa, onde montou uma lojinha de utensílios domésticos. Há quatro anos, ele levou o maior susto: o sobrado onde ficava seu estabelecimento pegou fogo.
“Perdi muita coisa”, lembra, com os olhos marejados. “Mas ainda tinha mercadoria em casa, e o jeito foi virar vendedor ambulante”.
Anatólio acorda todos os dias de madrugada, pedala do Centro até Botafogo (os cataventos que vende a R$ 2,50 fazem as vezes de refletores) e trabalha das 5h30m às 19h30m.
“Enfrento sol, chuva, poeira. Mas pelo menos converso com um monte de gente que para aqui para comprar ou só para tirar uma foto”.
Todos os dias tem alguém fotografando Anatólio com o celular. “O homem de lata bomba no Instagram. A última vez que o fotografei tive mais de cem curtidas”, conta o engenheiro Antônio Carlos Porto, de 32 anos, que parou para comprar um benjamin no “shopin-bike” na tarde da última terça-feira. (O Globo)