Israel ataca Irã e atinge instalação nuclear; Teerã reage com mais de 100 drones
Tensão cresce no Oriente Médio após bombardeio israelense contra alvos iranianos; Arábia Saudita e outros países condenam ofensiva
Israel lançou um ataque aéreo contra o Irã na madrugada de sexta-feira (13), pelo horário local — ainda noite de quinta-feira (12) no Brasil —, atingindo uma unidade de enriquecimento de urânio na cidade de Natanz, segundo confirmação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). As explosões foram ouvidas na capital iraniana, Teerã, onde moradores relataram momentos de pânico.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, informou que a ofensiva contou com a participação de mais de 200 caças e o uso de aproximadamente 330 tipos diferentes de munições. Segundo ele, o objetivo foi atingir estruturas militares e nucleares do regime iraniano. A operação aconteceu um dia após a AIEA censurar o Irã por descumprimento de compromissos no Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).
A resposta iraniana veio poucas horas depois. De acordo com o porta-voz do Exército israelense, general Effie Deffrin, mais de 100 drones foram lançados pelo Irã em direção a Israel na manhã desta sexta-feira. “Todos os nossos sistemas de defesa estão em ação para interceptar as ameaças”, afirmou o general. Jordânia e Iraque decidiram fechar seus respectivos espaços aéreos para evitar danos colaterais.
As tensões entre Israel e Irã já vinham se intensificando há semanas, especialmente após o ataque israelense a uma base iraniana na Síria, em abril. A guerra oculta entre as duas nações, marcada por ações secretas e ataques indiretos via aliados e milícias, se transformou em confronto aberto desde o ataque do Hamas a Israel em outubro de 2023.
O ataque desta sexta elevou ainda mais o risco de uma guerra regional. Arábia Saudita, Omã e Líbano condenaram duramente a ação de Israel. Para o governo saudita, a ofensiva foi uma “clara violação das leis internacionais”. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, disse que o bombardeio ameaça os esforços diplomáticos pela estabilidade no Oriente Médio.
Além da condenação externa, o Irã também acusou os Estados Unidos de conivência com o ataque. O governo iraniano afirmou que Washington “autorizou” a ação israelense, o que foi negado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. O Irã exigiu uma resposta firme do Conselho de Segurança da ONU.
Em discurso televisionado, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, prometeu “medidas enérgicas” contra Israel. “A República Islâmica dará uma resposta severa, sábia e firme ao regime ocupante”, declarou, convocando o povo iraniano a apoiar o governo diante da crise.
O aumento da tensão acontece às vésperas de uma nova rodada de negociações nucleares entre Irã e Estados Unidos, marcada para domingo (15) em Omã. A viabilidade desse encontro, contudo, está agora ameaçada pela escalada militar.
Enquanto isso, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, criticou Teerã pela demora em fechar um novo acordo nuclear e alertou para possíveis novos ataques israelenses. “Já houve mortes demais, mas ainda há tempo de parar essa matança”, escreveu em sua rede social.
Com a confirmação de que a instalação nuclear de Natanz foi atingida, cresce o temor de uma resposta ainda mais agressiva por parte do Irã. Autoridades iranianas já sinalizaram que podem abandonar o Tratado de Não Proliferação Nuclear e intensificar o enriquecimento de urânio, medida que pode desestabilizar ainda mais a já frágil situação geopolítica do Oriente Médio.




