O etarismo contra mulheres: o preço da idade em uma sociedade que exige juventude
O envelhecimento feminino, que deveria ser um processo natural e respeitado, muitas vezes se transforma em um fardo
Nos últimos anos, o debate sobre o etarismo tem ganhado força, evidenciando como a discriminação por idade afeta milhões de pessoas. No entanto, quando se trata das mulheres, essa questão se torna ainda mais complexa. O envelhecimento feminino, que deveria ser um processo natural e respeitado, muitas vezes se transforma em um fardo em uma sociedade que valoriza a juventude acima de tudo.
O que é o etarismo?
O etarismo, ou ageísmo, refere-se ao preconceito e à discriminação contra indivíduos com base na idade. No caso das mulheres, essa discriminação se manifesta de diversas formas: na vida profissional, no mercado de consumo, nas relações interpessoais e até mesmo na representação midiática.
Enquanto os homens frequentemente são vistos como mais sábios e respeitáveis ao envelhecerem, as mulheres tendem a ser invisibilizadas ou desvalorizadas.
O etarismo no mercado de trabalho
No ambiente corporativo, o etarismo contra mulheres é uma realidade alarmante. Muitas profissionais enfrentam dificuldades para conseguir emprego ou ascender em suas carreiras após determinada idade. O setor de tecnologia, por exemplo, tem sido criticado por sua cultura que prioriza jovens talentos em detrimento da experiência.
Em outras áreas, mulheres com mais de 40 anos frequentemente são preteridas em processos seletivos, sob a justificativa de que podem ser “menos adaptáveis” às novas dinâmicas de trabalho.
O impacto na autoestima e na saúde mental
A pressão social para que as mulheres mantenham uma aparência jovem pode ter efeitos devastadores na autoestima e na saúde mental. Com o passar dos anos, muitas se sentem pressionadas a recorrer a procedimentos estéticos, dietas extremas e até mesmo intervenções cirúrgicas para atender a um padrão inalcançável. O medo de “envelhecer mal” pode gerar ansiedade, depressão e uma relação conflituosa com o próprio corpo.
Representatividade na mídia e na cultura pop
A mídia e a cultura pop perpetuam a ideia de que a juventude é um requisito para a relevância feminina. Personagens femininas maduras são frequentemente relegadas a papéis secundários, como mães, avós ou vilãs, enquanto seus pares masculinos continuam sendo protagonistas românticos ou figuras de autoridade respeitadas. Atrizes, jornalistas e influenciadoras relatam dificuldades em manter suas carreiras conforme envelhecem, ao passo que homens da mesma idade continuam sendo considerados desejáveis e influentes.
Combatendo o etarismo
Para desconstruir o etarismo contra mulheres, é essencial promover a valorização da experiência e da diversidade etária em todos os setores. Algumas estratégias incluem:
- Incentivar representações mais realistas e diversas na mídia;
- Criar políticas corporativas que protejam profissionais mais velhas contra a discriminação;
- Fomentar espaços de diálogo sobre envelhecimento saudável e positivo;
- Desconstruir padrões irreais de beleza e incentivar a aceitação do processo natural do envelhecimento.
Envelhecer não deveria ser um motivo de vergonha, mas sim um símbolo de experiência e resiliência. É fundamental mudar a narrativa para que todas as mulheres, em qualquer idade, sejam reconhecidas e respeitadas pelo que realmente são: completas, plenas e merecedoras de oportunidades e respeito.
Sobre a colunista
Juliana Drummond é esposa, mãe e advogada com mais de 20 anos de experiência na área cível e criminal. Também é especialista em Direitos das Mulheres; pós-graduada em Advocacia Feminista pela Escola Superior de Direito, em São Paulo; capacitada em Advocacia com Perspectiva de Gênero pela Escola Brasileira de Direitos das Mulheres; e representante da OAB Itabira na Comissão Especial Enfrentamento a Violência Doméstica da OAB Minas Gerais.




