Moradores da Vila Amélia se reúnem com a Vale para cobrar respostas sobre expansão de cava minerária
Encontro organizado pela Associação dos Amigos da Vila Amélia expôs inseguranças da população diante da falta de informações e da negligência da empresa sobre impactos da mineração no bairro

Uma reunião realizada na noite da última terça-feira (01), na Vila Amélia, em Itabira, reuniu cerca de 40 moradores para discutir os impactos da ampliação das cavas de exploração de minério da mineradora Vale, que circundam o bairro. O encontro, convocado pela Associação dos Amigos da Vila Amélia, foi marcado pela preocupação com os riscos gerados pela atividade minerária e pela insatisfação da comunidade com a falta de preparo dos representantes da empresa.
Compareceram dois funcionários da Vale: Elcio, já conhecido da comunidade por atuar na limpeza da área da mineradora que cerca o bairro, e Sávio, engenheiro da empresa. Nenhum deles levou material informativo para apresentar aos moradores, o que reforçou o sentimento de desrespeito por parte da população.
“Vieram totalmente despreparados. Surgiram várias demandas, várias reclamações, várias perguntas, e eles não conseguiram responder”, afirmou a irmã Sílvia, moradora da Vila Amélia, que precisou deixar a casa da paróquia onde vivia após rachaduras provocadas pelas explosões da mineradora tornarem a estrutura do imóvel insegura. “Eu não moro mais na minha casa, e a empresa não ofereceu nenhum tipo de amparo. Quem tem recurso tenta reformar. Quem não tem, convive com o risco”, desabafou.
Na reunião, os moradores relataram uma série de problemas enfrentados no cotidiano, como o aumento da poeira, a dificuldade de abastecimento no bairro, o uso ostensivo de água pela mineradora, os tremores causados pelas detonações e as rachaduras nas casas. Sávio admitiu que a poeira tende a aumentar com a expansão da cava, mas a única medida que se lembrava estar prevista no projeto da ampliação seria a construção de uma barreira arbórea, proposta considerada insuficiente pelos presentes.
Questionados sobre as rachaduras nos imóveis, os funcionários não apresentaram soluções, mencionou o uso de tecnologias para monitoramento e controle dos tremores, e orientou os moradores a registrarem as reclamações por meio do canal da empresa ou com o próprio Elcio. A sugestão foi rebatida com críticas: “Problemas do coletivo se tratam no coletivo”, pontuou um dos moradores.

Associação dos Amigos da Vila Amélia.
A ausência de propostas concretas para mitigar os danos causaram decepção entre os participantes, que esperavam uma apresentação detalhada, com linguagem acessível, sobre os planos da mineradora, semelhante à que foi feita na recente reunião do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema).
O projeto de ampliação da cava, que integra o plano da Vale de manter as operações em Itabira até pelo menos 2041, tem gerado apreensão em diversas regiões da cidade. Durante a reunião do Codema, realizada no último dia 12, a empresa foi criticada por não apresentar dados concretos, minimizar riscos e ignorar comunidades tradicionais afetadas, como as quilombolas, que, de acordo com a Convenção 169 da OIT, deveriam ser previamente consultadas.
Além da proximidade cada vez maior da mineração com áreas residenciais, os moradores temem que os impactos à saúde física e mental da população se agravem. “A cidade toda é atingida. Eu morava na parte alta da Vila Amélia e agora estou na Vila São Joaquim, mas continuo sentindo os tremores. A poeira também nos alcança”, relatou irmã Sílvia.
Ao final do encontro, os moradores decidiram estreitar laços com o Comitê Popular dos Atingidos pela Mineração em Itabira e Região, buscando apoio técnico para compreender melhor os impactos da expansão das minas, fortalecer a mobilização coletiva e aprofundar os debates. A proposta é que outras reuniões sejam organizadas.
“Nós precisamos continuar essa discussão no coletivo. A luta não é contra a mineradora, mas contra os impactos negativos que ela traz para a população”, afirmou a irmã Sílvia.
Enquanto a empresa se mantém evasiva quanto às consequências da expansão, a comunidade da Vila Amélia se mobiliza para exigir transparência.




