Haddad defende o multilateralismo e uma nova política fiscal, em reunião do BRICS
Ministro fez discurso de abertura de reunião de ministros e presidente dos bancos centrais do bloco
Em discurso realizado na cúpula do BRICS no Rio de Janeiro neste sábado (5), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu uma reglobalização sustentável, baseada no desenvolvimento social, econômico e ambiental da humanidade.
O ministro Haddad realizou o discurso de abertura da Reunião dos Ministros de Finanças e Presidentes de Bancos Centrais do BRICS. Atualmente, são onze os países membros permanentes do bloco. Além dos fundadores, Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul, também fazem parte: Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia.
Trata-se da 17ª Reunião de Cúpula do BRICS, que acontece no Rio de Janeiro nos dias 6 e 7 de julho. Países parceiros também enviaram representantes para o encontro. São eles: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Tailândia, Cuba, Uganda, Malásia, Nigéria, Vietnã e Uzbequistão.
Questões tributárias
Ele também destacou, tratando de questões tributárias, que se estabeleça uma nova convenção das Nações Unidas para cooperação internacional a respeito do tema. “Trata-se de um passo decisivo rumo a um sistema tributário global mais inclusivo, justo, eficaz e representativo – uma condição para que os super-ricos do mundo todo finalmente paguem sua justa contribuição em impostos”, afirmou, enfim, Haddad.
Resgatando as motivações que levaram à fundação do BRICS por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o ministro enfatizou o objetivo dessas nações pleitearem o seu espaço nas decisões sobre o sistema financeiro internacional. Juntos, os países que hoje compõem o BRICS representam quase a metade de toda a população mundial. Para Haddad, portanto, isso significa que “Nenhum outro foro possui hoje maior legitimidade para defender uma nova forma de globalização”.
BRICS e o G20
Quando o Brasil esteve à frente do G20, liderou o lançamento da Aliança Global Contra e Fome e a Pobreza, tema que também foi destaque para o ministro. Para ele, essa medida marca o compromisso nacional com o multilateralismo na ordem política global. “Essa defesa se tornou urgente. Não há solução individual para os desafios do mundo contemporâneo”.
Mais do que isso, contudo, afirmou que a proposta vigente de reforma tributária no país para aumentar a cobrança de impostos para o grupo de “super-ricos” dialoga com esse propósito.
O desafio das mudanças climáticas
Nenhum país pode, sozinho, dar uma resposta efetiva à questão das mudanças climáticas, segundo a análise de Fernando Haddad. “A perspectiva de criar ilhas excludentes de prosperidade em meio à crise contemporânea é moralmente inaceitável. Em vez disso, temos que encontrar soluções cooperativas para os nossos desafios comuns”, destacou.
O compromisso dos países do BRICS é, portanto, desenvolver instrumentos e tecnologias inovadoras para acelerar a “transformação ecológica”, completou. Como exemplo, citou a criação do Fundo Florestas Tropicais Para Sempre, que visa movimentar atividades econômicas de baixo carbono. Nessa proposta, países que emitem mais poluentes devem se comprometer a investir mais recursos no fundo. É o caso da China.




