Tarifa de 30% dos EUA ameaça comércio do país com Europa
Governo de Donald Trump anuncia aumento nas tarifas de imposto sobre produtos oriundos da União Europeia; medida deve encarecer medicamentos
A Comissão Europeia classifica a relação comercial com os EUA como “a mais importante do mundo”. Em 2024, o valor do comércio bilateral de bens e serviços somou 1,7 trilhão de euros (US$ 2 trilhões), ou 4,6 bilhões de euros por dia, segundo a Eurostat. As principais exportações dos EUA para a Europa foram petróleo, medicamentos, aeronaves, automóveis e equipamentos médicos. Da Europa para os EUA: medicamentos, carros, aeronaves, produtos químicos, instrumentos médicos e bebidas alcoólicas.
Trump já anunciara aumento de tarifas
Trump tem, portanto, criticado o superávit comercial de 198 bilhões de euros da UE com os EUA. No entanto, empresas americanas compensam parte disso com superávit em serviços, como computação em nuvem, turismo, serviços jurídicos e financeiros – reduzindo o déficit total para 50 bilhões euros (US$ 59 bilhões), ou menos de 3% do comércio bilateral.
Antes da volta de Trump, porém, a relação comercial era cooperativa, com tarifas baixas: 1,47% para produtos europeus e 1,35% para americanos. Mas desde fevereiro, o tom mudou. Além da nova tarifa de 30%, Trump impôs tarifas de 50% sobre aço e alumínio e 25% sobre carros e peças europeias. O governo americano também critica barreiras agrícolas da UE, como proibições à carne com hormônio ou frango higienizado com cloro, além dos impostos sobre valor agregado, vistos como neutros por economistas, mas fora da mesa de negociação, segundo Bruxelas.
Sem acordo, o PIB da UE pode cair 0,3% e o dos EUA, 0,7%, segundo o think tank Bruegel. O cenário mais provável, segundo analistas, é que os EUA recuem das ameaças mais duras e ofereçam isenções pontuais, enquanto a UE flexibiliza algumas regulações.




