O comportamento de Trump é típico de governantes norte-americanos

O republicano é a própria encarnação do exotismo, arrogância, prepotência e absoluta falta de noção

Na semana passada, o “previsível” inesperado fez uma surpresa. O americano Donald Trump decidiu meter o bedelho em assuntos internos do Brasil. Grande Novidade! O “senhor do universo” se sente no direito de se envolver em particularidades de todas as nações do planeta. Todas, não. Quase todas. Com a Rússia, o buraco é ligeiramente mais embaixo. Diante de Vladimir Putin, o falastrão do Norte mantém ambas as cabeças baixas. Não sem motivos. O arsenal nuclear do neoczar é superior à coleção de armas atômicas dos EUA. 

 

Agora, o Brasil é a bola da vez do imperador do asteroide azul. E não se sabe o motivo de tanto espanto com a nefasta iniciativa de Orange. Afinal, os Estados Unidos sempre deram pitacos na vida alheia de outros países. Em todos os tempos foi assim. Os governantes anteriores de lá eram menos sensacionalistas, apesar das descaradas intromissões no Vietnã, Afeganistão, Panamá, Iraque, Irã e outras aldeias menos expressivas.  E, na maioria das vezes, os sobrinhos de Tio Sam só não foram mais ousados porque não combinaram previamente com os russos. 

Trump é diferente. O republicano é a própria encarnação do exotismo, arrogância, prepotência e absoluta falta de noção.  E Lula reclama do capítulo recente desta ópera bufa. Mas, por quê?  Afinal, no último processo eleitoral americano, o petista declarou apoio à democrata Kamala Harris (embora isso não significasse nada). Então, esta é a velha conversa do chumbo trocado. Dói? Às vezes, sim. A reação do governo brasileiro ao ataque externo foi óbvia e necessária. Uma simples exibição cinematográfica pragmática para a plateia tapuia.

 Vamos ao ponto. A intromissão do espalhafatoso pato da Disneylândia não alterará o cenário político nacional. Ficará tudo como dantes no quartel de Abrantes.  Os desordeiros do dia 8 de janeiro de 2023 permanecerão hóspedes do hotel da Papuda, Xandão continuará com sua vasta cabeleira institucional solta ao vento e o ex-presidente Jair Bolsonaro não recuperará a tão sonhada elegibilidade. Nada muda.  No campo da direita, porém, aconteceu clara movimentação. A bisbilhotice trumpista vitaminou politicamente Eduardo Bolsonaro. Anote aí. No ano que vem, o popular 03 será candidato a presidente da República ou ocupará o cargo de vice numa chapa encabeçada por Tarcísio de Freitas. Tudo muito bonitinho, mas, tem uma pedra no meio do caminho do filho do “Mito”: o STF.

PS: E o “senhor do universo” aumentou significativamente o potencial da escalada contra o governo Lula. Na quarta-feira (9), Trump aplicou um tarifaço de 50% sobre produtos exportados para os EUA. Esse percentual é um tiro à queima-roupa na economia brasileira. A atitude do americano (caso mantida) provocará duas graves consequências: aumento da inflação e impactante desemprego em determinados segmentos industriais. Mas, muita calma nesta hora. Estes 50% são blefes iniciais para uma negociação. Até 1º de agosto, o percentual deverá cair para 25%, 20%, ou será cancelado. Trump é uma criatura psicologicamente instável.

Sobre o colunista

Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.

O conteúdo expresso é de total responsabilidade do colunista e não representa a opinião do portal DeFato Online.

MAIS NOTÍCIAS