Tarifaço de Trump acende alerta e setor mineral brasileiro busca aproximação com os EUA

Ibram aposta em missão empresarial e diálogo sobre minerais críticos para reduzir riscos e fortalecer parceria estratégica com norte-americanos

Tarifaço de Trump acende alerta e setor mineral brasileiro busca aproximação com os EUA
Foto: Portal Brasil.gov.br/Ricardo Teles

O anúncio de um tarifaço de até 50% sobre produtos brasileiros por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, acendeu um sinal de alerta no setor mineral do País. Para tentar conter possíveis impactos e transformar a crise em oportunidade, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) aposta na construção de uma ponte estratégica com os Estados Unidos. A entidade recebeu na quarta-feira (23) o encarregado de negócios e embaixador interino dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, em sua sede em Brasília.

Durante o encontro, solicitado pela diplomacia norte-americana, foram debatidas possibilidades de cooperação comercial, sobretudo em torno dos chamados minerais críticos e estratégicos, como lítio, cobre, níquel e terras raras — considerados fundamentais para a transição energética global. O diretor-presidente do Ibram, Raul Jungmann, e o vice-presidente da entidade, Fernando Azevedo, defenderam uma aproximação mais efetiva entre empresas dos dois países.

Uma missão empresarial brasileira aos Estados Unidos está em articulação e poderá ocorrer entre setembro e outubro, segundo sugeriu Escobar. O mês de agosto, por ser período de férias no país, foi descartado como ideal para o encontro entre empresários.

A aproximação entre Brasil e Estados Unidos acontece em meio a um clima tenso no comércio global. As tarifas anunciadas por Trump, se implementadas, podem gerar um impacto anual de até US$ 1 bilhão para a mineração brasileira, segundo cálculos do Ibram. Isso se dá, principalmente, pelo aumento nos custos de importação de maquinário e equipamentos pesados utilizados na atividade mineral.

Mais do que as tarifas, preocupa o setor uma possível política de reciprocidade por parte do governo brasileiro. Em recente reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin, Raul Jungmann manifestou apreensão com a adoção de retaliações que comprometam a competitividade de novos projetos e prejudiquem o avanço tecnológico do setor. “A retaliação e a reciprocidade nos preocupam muito mais”, afirmou.

Além de apresentar um panorama da mineração no país, o Ibram também detalhou ao diplomata norte-americano os avanços na formulação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, conduzida pelo governo federal, e o andamento de propostas legislativas sobre o tema no Congresso Nacional. Os desdobramentos da reunião serão compartilhados com as empresas associadas à entidade, que respondem por cerca de 85% da produção mineral brasileira.

A expectativa é que, além de mitigar os efeitos do tarifaço, o estreitamento das relações com os Estados Unidos possa abrir novos caminhos para a cooperação internacional no setor mineral e impulsionar a presença do Brasil nas cadeias globais de valor da mineração sustentável.