Na corda bamba
A prática se assemelha às apresentações circenses, onde os artistas se apresentam sobre cabos de aço
Matéria publicada na edição 255 da Revista DeFato
Longe dos holofotes dos esportes mais conhecidos, o slackline ganha cada vez mais adeptos no Brasil, e em Itabira não poderia ser diferente. A ideia de se equilibrar em uma corda bamba pode não soar bem para a maioria das pessoas, mas o esporte é um ótimo aliado para quem quer se divertir, relaxar, praticar exercícios e trabalhar a mente. A prática se assemelha às apresentações circenses, onde os artistas se apresentam sobre cabos de aço. A diferença está justamente na flexibilidade da fita, proporcionando maior impulsão para saltos e manobras.
O esporte consiste em se equilibrar sobre uma fita de nylon, estreita e flexível, entre dois pontos fixos, a uma altura, geralmente, de 30 centímetros do chão. Uma catraca de tensão dá firmeza e segurança à armação da fita. A simplicidade da montagem e praticidade de poder praticar em qualquer lugar onde seja possível amarrar a fita, além do preço acessível, proporcionam novas paisagens, cenários e desafios que inspiram os adeptos do esporte.
O slack teve início em meados dos anos 80 nos Estados Unidos, quando escaladores passavam semanas acampando em busca de novas alternativas de escalada. Nos momentos livres esticavam suas fitas de escalada, através de equipamentos, para se equilibrar e caminhar. No Brasil o slackline ganhou força em 2010, nas praias do Rio de Janeiro.
Engana-se quem acha que o esporte se limita apenas a andar sobre a fita. Existem quatro tipos de modalidades. Trickline, geralmente praticada a partir de 60 centímetros de altura, possibilitando manobras de saltos e exigindo bom preparo físico e muito treino. Longline, andar sobre a fita em grandes distâncias, o que requer bastante condicionamento físico e muito equilíbrio. Highline é praticado em alturas superiores a cinco metros, exigindo muita experiência, pois conta com a utilização de equipamentos de segurança. E finalmente, e não menos divertida a Waterline, praticada sobre a água, seja em lagoas, cachoeiras ou piscinas. É a forma mais descontraída do esporte, permitindo saltos sem se preocupar com a queda.
Em Itabira há um grupo de cerca de 30 pessoas que praticam o esporte na Praça do Areão, mas os que fazem todos os finais de semana são, em torno, de 10 pessoas. Yure Rodrigues Souza, de 21 anos, conhecido como Yure Skaw, pratica o slackline há 10 meses. Assim como a grande maioria, se interessou pelo esporte ao ver as pessoas desafiando o equilíbrio na praça. Como um dos mais experientes, participou do 1º Campeonato de Slackline de Contagem, e conquistou o terceiro lugar na categoria amador. Membro da equipe NativosSlack, Yure e seu time visam outras competições para desenvolverem suas habilidades. A próxima parada do grupo é em Ipatinga, dia 6 e 7 de abril.
A curiosidade da população é grande. De acordo com Yure Skaw, muita gente que passa pela Praça nos finais de semana, para por um tempinho para assistir às acrobacias. “Sempre perguntam como andar, como pular. Alguns apenas observam de longe, outros vêm conversar e até mesmo arriscar se equilibrar na fita”, contou Yure. De acordo com o grupo itabirano, o tempo necessário para se equilibrar e dominar a fita varia de acordo com cada pessoa. “Às vezes a pessoa estranha na primeira vez que sobe, mas na segunda já anda bem. Outras andam muito tempo e não conseguem desenvolver. Eu, com duas semanas, já arriscava manobras”,
O terceiro colocado na competição em Contagem aponta que o segredo para andar bem é não ter medo. “Tem que se jogar mesmo e tentar. Se ficar com medo não faz nunca. É preciso arriscar para poder fazer as manobras. Sempre há o risco de cair, mas faz parte do aprendizado”. Yure ainda relatou que o grupo busca apoio para conseguir colchões para amortecer a queda dos praticantes. “É bom para os iniciantes poderem se arriscar mais sem medo. Existem algumas mulheres que vêm aqui e só andam na fita quando há colchões por baixo, eles ajudariam até para crianças poderem experimentar”, completou.
O custo para a prática do esporte não é alto. Há uma grande variedade de preços e opções de fitas no mercado. Para iniciantes, uma fita de 10 metros gira em trono de 180 reais. Modelos mais profissionais custam mais. Há, também, diferenças entre elas. Algumas são mais flexíveis, macias, indicadas para manobras. Outras mais rígidas, estáveis, indicadas para iniciantes, ou praticantes que desejam apenas o desafio de se equilibrar.
Benefícios
O slackline trabalha tanto o corpo quanto a mente. Exercita bastante os músculos do corpo, destacando-se os membros inferiores e região abdominal. O iniciante Átila Pinto de Oliveira, de 20 anos, destaca o seu desenvolvimento, mesmo tendo praticado apenas cinco vezes o esporte. “Meu condicionamento físico já melhorou bastante. Ganhei mais equilíbrio físico e mental”, concluiu.
O educador físico, Pedro Henrique Lisboa Silva André, conta que o slackline não é apenas um esporte divertido, mas que também traz muitos benefícios à saúde. “O esporte traz bem estar e a qualidade de vida ao praticante. Equilíbrio, força, resistência, consciência corporal, lateralidade, flexibilidade, coordenação e redução do percentual de gordura os principais pontos positivos do esporte. Os músculos mais trabalhados nesse esporte são abdômen e os músculos da perna”, contou Pedro Henrique.
Mas os benefícios vão muito além do físico. O esporte trabalha muito o psicológico. A prática requer disciplina e concentração, e a pessoa desenvolve a paciência e a capacidade de superar dificuldades. Marcos Vinícius, de 24 anos, que pratica o esporte há um mês, procurava algum esporte que lhe oferecesse equilíbrio físico e mental, e encontrou no slackline. “Eu tinha muito problema com ansiedade, então achei que seria o esporte ideal, por exigir muita concentração, paciência, e equilíbrio. À medida que fui praticando, ganhei mais autocontrole, fiquei mais calmo”, salientou Marcos.
O Slackline é indicado para qualquer pessoa, de todas as idades, porém as crianças devem estar acompanhadas de um adulto. Gestantes, pessoas com problemas de coluna, joelho e tornozelo devem consultar um especialista antes de ser arriscar na corda.