Agravamento da crise! Auditoria nos Correios indica insustentabilidade financeira no longo prazo

A estatal em seu plano estratégico ressalta que, entre os anos de 2023 a 2027, o grande desafio era “manter se no mercado”

Agravamento da crise! Auditoria nos Correios indica insustentabilidade financeira no longo prazo
Piora a crise financeira dos Correios Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Uma auditoria sigilosa do Tribunal de Contas da União (TCU) nos Correios, acessada pela reportagem da VEJA, mostra efeitos da má gestão e a ausência de investimentos na estatal.

Um mapeamento nas mais de 5.300 licitações dos Correios, entre novembro de 2019 e igual mês de 2023, indicam que cerca de 43% das contratações foram alertadas sobre o risco de conluio, contratação de fornecedores com suspeição de ilegalidades e até licitante único e, ignorando a sua própria sobrevivência econômico-financeira, a empresa relatou ao TCU, em 2024, que utilizaria parte de uma operação de crédito para equacionar seu déficit previdenciário, não para investimentos.

A estatal em seu plano estratégico ressalta que, entre os anos de 2023 a 2027, o grande desafio era “manter se no mercado”.

Em 2022, a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), atendeu cerca de 99,7% dos municípios brasileiros e diariamente efetuou 11,7 milhões de entregas de objetos, além de 175 milhões de atendimentos em seus espaços físicos, e apesar dos números, em época de comércio eletrônico em evolução e a pulverização de serviços de logística em transportes, a ECT é apontada por auditores como de cultura e competências digitais incipientes, com baixa capacidade de iniciativas a novos negócios digitais e boa parte da estrutura analógica.

O tribunal avalia que o crescimento da competição por preços e prazos cada vez mais reduzidos e a entrada de players ( jogadores) internacionais no Brasil, fica nítido que o setor de encomendas representa pouco mais de 51% do faturamento da estatal, mas a participação dos Correios neste segmento vem caindo a cada ano.

A queda da demanda por produtos do monopólio e a perda de market share (grau de participação de uma empresa no mercado) do segmento de encomendas, pode levar à perda de receita, levando ao caos financeiro no longo prazo, reduzindo a capacidade operacional do serviço postal universal e a sua independência de recursos do Tesouro Nacional.

Além deste cenário, a empresa registrou um prejuízo de R$ 1,7 bilhão no primeiro trimestre de 2025 e a decisão dos atuais executivos de aprovar um calote de R$ 2,75 bilhões no pagamento de tributos, obrigações previdenciárias, planos de saúde e benefícios diversos.

Em nota, a ECT informa que “diante de um cenário desafiador”, com mudanças regulatórias que impactaram o segmento internacional e reduziram receitas, somados aos efeitos do período de subinvestimentos entre 2019 e 2022, os Correios estruturaram um plano bianual de reequilíbrio”. Considerando um ambiente concorrencial cada vez mais agressivo, que exige respostas institucionais ágeis, os Correios ampliaram os investimentos anuais de R$ 447 milhões (média entre2019 e 2022) para mais de R$ 792 milhões em 2023 e 2024. Em paralelo, a empresa também assumiu o compromisso com o governo federal de promover um corte de R$ 1,5 bilhão em despesas em 2025. As iniciativas previstas para 2025 e 2026, permitirão a retomada gradual do equilíbrio operacional e dos resultados da empresa”.

*Fonte: Veja