Moradores ameaçam atear fogo em pneus durante novo protesto por falta de água em Itabira, mas PM impede ação

O protesto ocorreu na tarde desta quarta-feira (24) bairro Nova Vista; Já havia ocorrido uma manifestação na região ontem (23)

Moradores ameaçam atear fogo em pneus durante novo protesto por falta de água em Itabira, mas PM impede ação
Foto: Reprodução/Redes sociais
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No final da tarde desta quarta-feira (24), um grupo de moradores iniciou um protesto na rua Arco Íris (antiga rua Um), no bairro Nova Vista, em Itabira, em decorrência da falta de água no bairro. Após colocarem objetos na via, para atearem fogo e chamar a atenção das autoridades para o problema, viaturas da Polícia Militar chegaram e desarticularam a ação dos manifestantes.

Ontem (23), já havia ocorrido uma manifestação do tipo na região, paralisando o trânsito entre as ruas Ouro Preto e Venda Nova.

Segundo informações, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) enviou caminhões-pipa para abastecer as caixas d’água na região. Além disso, após contato do radialista Vagner Ferreira, da Rádio Caraça FM, a autarquia informou que durante o dia, dois caminhões já haviam sido encaminhados a comunidade e confirmou o abastecimento nesta noite.

Racionamento está em vigor

Desde esta quarta-feira (24), Itabira já está passando por um racionamento na distribuição de água, em razão da severa estiagem que atinge o município e compromete o nível dos mananciais. A medida, aprovada pela Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento Básico de Minas Gerais (Arisb-MG), terá validade até 30 de novembro, podendo ser prorrogada caso o cenário crítico persista.

De acordo com o plano emergencial, a cidade foi dividida em seis regiões. Cada uma terá o fornecimento interrompido um dia por semana, das 7h30 às 21h. Aos domingos, não haverá suspensão. “O ‘Plano de Racionamento’ é uma estratégia técnica para garantir justiça no acesso à água, mesmo em cenário de escassez. É a forma de distribuir o recurso de maneira equilibrada entre todos os bairros”, afirma o presidente da autarquia, Valdeci Fernandes Júnior.

Situação crítica dos mananciais

A falta de chuvas entre abril e setembro reduziu drasticamente a vazão das principais estações de tratamento de água (ETA). A ETA Pureza, que atende 60 bairros, caiu de 130 l/s para 94 l/s, mesmo após a implantação de uma captação emergencial em agosto. Já a ETA Gatos, responsável por quase um quarto da cidade, opera com apenas 20 l/s — contra 80 l/s em períodos normais. Ao todo, essas duas unidades abastecem cerca de 80 mil moradores, o equivalente a 74% da população.

Ações já em andamento

Para mitigar os efeitos da estiagem, o Saae vem adotando uma série de ações desde agosto. Entre elas, estão:

•⁠ ⁠Captação emergencial no córrego Rio de Peixe, com reforço diário de até 5 mil m³;
•⁠ ⁠Aumento do fornecimento de água importada pela Vale (TAC 4) em 1.296 m³ por dia;
•⁠ ⁠Reúso de água na ETA Gatos, recuperando 180 m³ por dia;
•⁠ ⁠Correção de mais de mil vazamentos para reduzir perdas na rede;
•⁠ ⁠Campanhas educativas de conscientização para o uso racional da água.

Serviços essenciais terão prioridade

A prefeitura e o Saae garantem que unidades de saúde, escolas, creches, asilos e outros serviços públicos essenciais não serão prejudicados. Em caso de necessidade, caminhões-pipa serão disponibilizados mediante solicitação.

A administração municipal pede à população que colabore com o uso consciente da água durante o período de racionamento, destacando que a medida é indispensável para atravessar uma das estiagens mais severas já registradas no município.