Romance histórico de Erivelton Braz será lançado hoje (1º) na Câmara Municipal de João Monlevade
Livro resgata a trajetória de Jean Monlevade; lançamento conta com distribuição de exemplares para escolas e bibliotecas públicas
O escritor e jornalista Erivelton Braz lança nesta quarta-feira (1º), às 18h30, na Câmara Municipal de João Monlevade, o livro Nas Terras Pesadas de Metais e Espantos. Resultado de mais de uma década de pesquisa, o romance histórico reconstrói a trajetória de Jean-Antoine Félix de Monlevade, pioneiro francês que chegou ao Brasil em 1817 e desempenhou papel central no desenvolvimento industrial da região.
A narrativa se apoia em documentos históricos, recorrendo à ficção para preencher lacunas. Erivelton explica que optou pelo gênero do romance histórico justamente para equilibrar registros e criação literária.
“Busquei ser fiel ao espírito visionário de Monlevade, mas também recorri à ficção para imaginar situações não registradas, como o encontro com sua esposa ou a forma como se instalou na região”, disse o autor.
Esse equilíbrio, segundo ele, foi um dos principais desafios do projeto. O escritor destacou que precisou conter a liberdade criativa para não descaracterizar o gênero. “É preciso ter cuidado para não inventar demais. O romance histórico exige equilíbrio entre fato e criação, e esse foi um dos maiores dilemas do processo de escrita”, afirmou.
Um dos aspectos mais sensíveis do trabalho foi a inclusão da memória de homens e mulheres escravizados que viveram na região e trabalharam para Jean Monlevade, resgatando os nomes dessas pessoas e inserindo na narrativa de forma simbólica. A inclusão visa justamente reconhecer a presença dos escravizados na construção da fábrica e, consequentemente, da cidade.
O autor também buscou humanizar o protagonista sem cair em idealizações, para isso, explorou a perspectiva de um europeu iluminista em terras brasileiras, marcado pelo olhar científico e pela ousadia industrial:
“Tentei mostrar esse homem como alguém de seu tempo: estudioso de química e mineralogia, e que já em 1853 apontava o minério de ferro como futuro de Minas Gerais, cem anos antes da instalação da Vale em Itabira”, observou.
Ao mesmo tempo, a obra estabelece um elo entre a vida do pioneiro e a identidade coletiva da cidade que leva seu nome. Erivelton destacou que a chegada de Jean Monlevade foi determinante para o desenvolvimento posterior da região e para a implantação da usina siderúrgica décadas mais tarde.
“Sem ele, dificilmente a cidade teria seguido o caminho siderúrgico que resultou na criação da usina na década de 1930. Sua história está profundamente ligada à formação da comunidade”, pontuou.
Com o apoio da Lei Paulo Gustavo, exemplares da obra serão doados para escolas e bibliotecas públicas de João Monlevade, ampliando o acesso à história local. O lançamento terá sessão de autógrafos e fala do autor sobre o processo criativo.




