Israel e Hamas aprovam cessar-fogo após dois anos de guerra em Gaza

Acordo prevê libertação de reféns e prisioneiros, retirada gradual das tropas israelenses e entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza

Israel e Hamas aprovam cessar-fogo após dois anos de guerra em Gaza
Benjamin Netanyahu – Foto: Divulgação

Após intensas negociações mediadas por Estados Unidos, Egito, Turquia e países árabes, Israel e o grupo Hamas chegaram a um acordo de cessar-fogo permanente que encerra oficialmente dois anos de conflito na Faixa de Gaza. A decisão foi confirmada na noite desta quinta-feira (9) pelo líder do Hamas, Khalil Al-Hayya, e ratificada pelo governo israelense na madrugada de sexta-feira.

O pacto estabelece a suspensão das hostilidades em até 24 horas e a libertação de reféns israelenses mantidos em Gaza em um prazo de 72 horas após a entrada em vigor do cessar-fogo. Em contrapartida, Israel libertará cerca de 2.000 prisioneiros palestinos, incluindo 250 detentos com penas de prisão perpétua e 1.700 residentes de Gaza detidos desde os ataques de 7 de outubro.

A medida prevê ainda a reabertura da passagem de Rafah para o fluxo de pessoas e suprimentos e o retorno de corpos de prisioneiros palestinos. De acordo com a resolução aprovada pelo governo israelense, as forças do país se posicionarão ao longo da Linha Amarela — limite estabelecido para a retirada militar — até a conclusão das trocas humanitárias.

O presidente norte-americano Donald Trump, que liderou as negociações, afirmou que os reféns vivos e os corpos dos mortos devem ser entregues “entre segunda e terça-feira”. Ele também anunciou uma visita à região nos próximos dias, com previsão de passagem por Egito e Israel.

O cessar-fogo foi celebrado tanto em Tel Aviv quanto em Gaza, onde moradores comemoraram o fim dos ataques e a esperança de reconstrução. “Graças a Deus pelo fim do derramamento de sangue”, declarou Abdul Majeed Abd Rabbo, residente de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza.

Apesar da trégua, especialistas alertam para os desafios da implementação. A lista de prisioneiros palestinos a serem libertados ainda não foi totalmente definida, e persistem divergências sobre o futuro político e militar do Hamas, que rejeita a exigência israelense de desarmamento.

No campo político, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfrenta resistência de parte de sua coalizão, especialmente do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, que se opôs ao acordo por considerar que o Hamas não foi desmantelado.

Enquanto isso, as tropas israelenses começaram a recuar de áreas estratégicas, e comboios com alimentos e medicamentos devem entrar em Gaza para atender a população civil, após meses de bloqueios e destruição.

O acordo foi elogiado por nações árabes e ocidentais, incluindo o Brasil, que destacou seu caráter humanitário. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro afirmou que a trégua “deverá resultar em alívio efetivo para a população civil” e reiterou a defesa da solução de dois Estados como caminho para uma paz duradoura.

Se mantido, o cessar-fogo representa o maior avanço diplomático desde o início da guerra, que deixou mais de 67 mil mortos em Gaza e transformou o território em uma das zonas mais devastadas do Oriente Médio.