Saúde adoecida
Matéria publicada na edição 253 da Revista DeFato Depois da maternidade, é o Hospital São José, em Nova Era, que corre o risco de fechar. Com uma dívida de mais de R$ 500 mil, a instituição passa por momentos críticos e busca apoio e parcerias para resolver a complicada situação financeira. Há dois anos não […]

Matéria publicada na edição 253 da Revista DeFato
Depois da maternidade, é o Hospital São José, em Nova Era, que corre o risco de fechar. Com uma dívida de mais de R$ 500 mil, a instituição passa por momentos críticos e busca apoio e parcerias para resolver a complicada situação financeira. Há dois anos não nasce uma criança no município. Sem maternidade, as mães precisam recorrer a instituições de cidades próximas, como João Monlevade, para ter seus filhos. Os outros atendimentos continuam sendo prestados, mas se o hospital fechar de vez, será o colapso da saúde nova-erense.
Segundo o vice-provedor da Associação de Caridade São José (ACSJ), Ubiraci Pereira, entidade mantenedora do hospital, a dívida está parcelada em prestações que somam R$ 25 mil por mês. Nos últimos três anos, os atendimentos no hospital triplicaram, dos quais 73% são feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O problema fica ainda mais evidente considerando que a tabela do SUS, para procedimentos comuns, está sem correção desde 2007.
Em 2009, o hospital realizou 10.544 atendimentos ambulatoriais e 857 internações. Em 2013, o número cresceu para 35.209 atendimentos ambulatoriais e 931 internações. Ubiraci afirma que entre as fontes de renda da ACSJ está o recebimento dos aluguéis, de R$34 mil por mês, valor repassado integralmente ao hospital para cobrir os déficits financeiros.
A Prefeitura repassa ao Pronto-Atendimento mensalmente R$ 82 mil, mas o valor é insuficiente para suprir os gastos. Por isso está sendo negociada uma verba maior, que dependerá da aprovação dos vereadores que, segundo o vice-provedor, não estão muito interessados em colaborar. “Você sabe como é política no interior. Não tem visão de progresso”, critica.
Ubiraci afirma que a Prefeitura tem boa vontade em resolver o problema da saúde e impediu o fechamento do hospital temporariamente. Para reverter o quadro e não deixar a instituição falir de vez, a Associação de Caridade São José vem divulgando a situação no intuito de sensibilizar a comunidade. “O poder Executivo, com o objetivo de cumprir a legislação, vem investindo no atendimento à população, construindo PSF’s e continuando com o repasse ao Pronto-Atendimento, através da ACSJ. Caso os vereadores não apóiem as iniciativas de reestruturação do atendimento da saúde, o município de Nova Era deixaria a ACSJ em situação difícil, pois a entidade está no limite do seu endividamento”, explica.
Caso o hospital feche, haverá demissão de 62 funcionários e o prédio se transformará em hotel. Será uma situação desastrosa. O Hospital Margarida, de João Monlevade, que é a referência para Nova Era, já encontra dificuldade em atender à demanda vizinha devido à falta de vagas. Por meio de uma parceria, a Anglo American pagou uma consultoria para fazer um raio x da situação financeira do Hospital São José e propor uma gestão mais eficiente. É o primeiro passo para resgatar a saúde do município.





