Pai que fingia câncer do filho para receber doações em igrejas é liberado
Segundo a Polícia Militar, o homem, de 50 anos, comparecia a templos religiosos acompanhado da criança e dizia que o filho estava com tumor cerebral
Homem que simulava doença grave do filho de 12 anos para receber doações de fiéis em igrejas de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, teve concedida liberdade provisória na noite dessa terça-feira (28/10), juntamente com seu outro filho, de 22 anos, que participava da farsa.
Segundo a Polícia Militar, o homem, de 50 anos, comparecia a templos religiosos acompanhado da criança e dizia que o filho estava com tumor cerebral e precisaria de ajuda financeira para conseguir pagar uma cirurgia de R$ 100 mil em hospital de São Paulo. O filho mais velho o acompanhava na fraude.
Relatos de vítimas afirmam que os autores utilizavam o microfone das igrejas e distribuíam panfletos com dados de Pix para arrecadar doações, sensibilizando os fiéis e dizendo que já havia conseguido R$ 68 mil e precisavam completar o valor para a cirurgia da criança.
Os pedidos também eram feitos nas redes sociais. A militares, três vítimas relataram que imaginavam que o caso fosse verdadeiro porque o pai pedia ajuda em centros religiosos.
Decisão assinada pela juíza de Direito Bárbara Colen Diniz, da Vara Criminal da Comarca de Pirapora, não existe prova da materialidade das condutas e fortes indícios de autoria, considerando, também, que o homem é o responsável pelo cuidado dos filhos menores, que não querem retornar ao cuidados da mãe. Como ele foi liberado, não houve a necessidade de agendamento de audiência de custódia.
Veja trecho da decisão judicial
“Tal circunstância reforça a necessidade de acompanhamento e intervenção pelos órgãos de proteção à infância e juventude, especialmento o Conselho Tutelar e a rede de assistência social, a fim de garantir o bem-estar da criança/adolescente, mas não se presta, por si só, a justificar a prisão em flagrante, que deve ser analisada sob a ótica da legalidade e da necessidade processual, e não como medida de proteção familiar”.
O documento exige que o homem mantenha atualizado o seu endereço e compareça mensalmente ao Juízo de residência para informar e justificar atividades em um período de 12 meses, além de comparecer em Juízo toda vez que for intimado. Caso não compareça, poderá ter a prisão decretada.
O homem em questão não é primário nesse tipo de ação, porque ele responde a um processo de estelionato no estado do Maranhão, onde teria usado outro filho, atualmente com 17 anos, para crime semelhante.
Os militares, diante de informações, identificaram o carro utilizado pela dupla e, pai e filho foram detidos na noite de segunda-feira (27), nas proximidades do município de Buritizeiro (MG).
No carro, dois adultos e duas crianças, o menino de 12 usado na fraude e outro de 9 anos. No porta-malas, uma cadeira de rodas e panfletos com QR codes e fotos da criança co máscara hospitalar e supostamente acamada.
Também foram encontrados no carro diversos laudos médicos, aparentemente falsos, com erros de grafia, incoerências e registros profissionais inexistentes, além de R$ 5.975 em espécie.
Na abordagem policial, o homem insistia na impossibilidade de o filho andar devido ao tumor cerebral, mas, segundo o documento, enquanto dizia isso, o menino se mantinha de pé e andava normalmente.
O filho, questionado pelos militares, se contradisse várias vezes e confirmou que seguia as instruções do pai,
Diante da confissão do filho, o pai admitiu que simulava a doença para arrecadar dinheiro, com o apoio do filho mais velho, que cedia a conta bancária para o depósito das doações.
Segundo ele, havia tirado as crianças da escola há cerca de 10 dias e viajava por diversas cidade praticando o golpe.
Pai e filho foram presos em flagrante pelos crimes de estelionato, corrupção de menores e uso de documento falso. O dinheiro, os documentos falsificados, a cadeira de rodas e o veículo utilizado no crime foram apreendidos.
*Fonte: Estado de Minas




