BR-381: a cada 48 horas, ao menos um acidente grave é registrado em trechos da rodovia da morte
BR-381 tem 26 acidentes desde setembro e concessionária é criticada pela falta de informações
Desde o início da cobrança de pedágios em 27 de setembro até a semana do dia 18 de novembro, passaram-se cerca de 50 dias. Nesse período, o Portal DeFato Online noticiou ao menos 26 acidentes na BR-381, uma média de um acidente a cada dois dias. O número reforça a sensação de insegurança vivida por motoristas e passageiros que utilizam diariamente a rodovia, considerada uma das mais perigosas do país.
Além da alta frequência de ocorrências, soma-se outra preocupação: a crescente dificuldade enfrentada pela imprensa para obter informações claras e completas sobre os acidentes. Desde o início da operação dos pedágios, a Nova 381 tem repassado dados de forma limitada, dificultando a apuração em situações que exigem transparência e comunicação rápida.
A gravidade dos acidentes
Entre os registros mais graves estão acidentes com vítimas fatais, como o ocorrido no dia 8 de novembro, em João Monlevade. Um caminhão carregado com batata-doce despencou em uma ribanceira de cerca de 20 metros, nas proximidades do posto Graal, no bairro Tanquinho, sentido Belo Horizonte. O motorista, natural de Coronel Fabriciano, morreu no local. A esposa, grávida de quatro meses, ficou presa às ferragens e foi resgatada por equipes do Corpo de Bombeiros com apoio da concessionária.
O caso mais recente foi registrado na tarde da última terça-feira (18), no km 416, em Caeté. Duas carretas que seguiam no sentido Itabira colidiram e foram arremessadas contra um barranco às margens da estrada. A dinâmica do acidente reforça o cenário de risco constante, agravado pelo fluxo pesado de veículos e pela estrutura defasada da via.
A tendência é de agravamento com a chegada dos feriados prolongados e do fim de ano, período em que o fluxo de veículos na BR-381 aumenta significativamente. Tradicionalmente, esse acréscimo de tráfego intensifica congestionamentos, amplia o risco de colisões e pressiona ainda mais um trecho já marcado por estrutura precária e obras atrasadas.
Omissão e falta de transparência: crítica recorrente à Nova 381
Além da sucessão de acidentes, chama atenção a percepção de omissão por parte da concessionária em relação à divulgação de informações sobre ocorrências e situações de risco na rodovia. A imprensa aponta dificuldade em acessar dados atualizados e concretos sobre os acidentes. Usuários e autoridades também sinalizam desafios em acessar dados atualizados sobre intervenções, ações de segurança e procedimentos operacionais — especialmente após a implantação do sistema de pedágio no modelo free flow.
Essa crítica voltou à tona durante a audiência pública realizada na última terça-feira (18) pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O encontro, convocado pela Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas, discutiu pedágios, segurança e o atraso nas obras de duplicação da BR-381. Mesmo diante da pauta urgente e do grande número de acidentes registrados, a Nova 381 não enviou representantes para a audiência.
Trecho entre Belo Horizonte e Caeté segue como o mais crítico
O trecho da BR-381 entre Belo Horizonte e Caeté permanece sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Este continua sendo o mais preocupante de todo o corredor, concentrando o maior número de acidentes, inclusive fatais; tráfego intenso e congestionamentos diários; pista estreita e ultrapassada; impacto direto na mobilidade e na segurança de cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Assim como a concessionária NOVA 381, o órgão federal também não compareceu à audiência da ALMG, fato que ampliou a insatisfação de deputados e usuários.
Pedágio em funcionamento, respostas em falta
Apesar de já operar cinco pontos de pedágio, a Nova 381 deixou de apresentar esclarecimentos sobre pontos essenciais relacionados à concessão, como: detalhes do sistema free flow; previsão de obras estruturais; cronograma de duplicação; estratégias para redução de acidentes; alternativas para motoristas com dificuldades digitais.




