700 pacientes por ano serão atendidos no SUS com a radioterapia em Itabira, aponta Padilha

O centro instalado em Itabira possui tecnologia equivalente aos melhores hospitais privados do país

700 pacientes por ano serão atendidos no SUS com a radioterapia em Itabira, aponta Padilha
Foto: Giovanna Victoria/DeFato

A inauguração do Centro de Radioterapia do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), marca uma virada histórica na assistência ao tratamento do câncer em Itabira. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o novo equipamento permitirá que 700 novos pacientes por ano realizem radioterapia sem precisar viajar para Belo Horizonte, realidade enfrentada pela população há 13 anos, desde que o projeto foi anunciado pela primeira vez, em 2012.

Agora tem especialistas

Alexandre Padilha explicou que a expansão da radioterapia em Itabira integra o programa “Agora Tem Especialistas”, criado para reorganizar a oferta de tratamentos complexos no Sistema Único de Saúde (SUS )e garantir que pacientes de cidades menores não fiquem desassistidos.

Uma das principais medidas é a criação de auxílio transporte e auxílio diária para usuários que precisam se deslocar até o serviço de referência. Isso significa que pacientes dos municípios vizinhos não terão mais de custear, do próprio bolso, as viagens ou eventuais pernoites necessárias para realizar o tratamento. O repasse é feito pelo Ministério da Saúde ao município ou ao hospital, que se tornam responsáveis por garantir a assistência.

“Essas pessoas têm o transporte para cá, e às vezes têm que ficar uma diária, têm que ficar um dia, dois dias. Agora, pelo Agora Tem Especialistas, o Ministério da Saúde repassa um auxílio transporte para essas pessoas e um auxílio diária para as famílias, para elas não precisarem pagar do seu bolso esse esforço”, acrescentou

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Foto: Giovanna Victoria/DeFato

Outro eixo do programa é o reforço diagnóstico. As carretas de mamografia, que circulam por regiões onde não há equipamentos suficientes, permitiram ao país alcançar 91% de cobertura no tempo adequado, o maior índice da história. “Mais de mil mulheres do Complexo do Alemão conseguiram fazer mamografia e ultrassom”, disse. 

Além disso, o governo federal realizará, no próximo sábado (13), o maior mutirão nacional de cirurgias eletivas e exames já organizado pelo SUS, com a participação de mais de 130 hospitais federais, universitários e filantrópicos. A meta é reduzir de forma acelerada o tempo de espera de pacientes em filas por cirurgias e procedimentos especializados.

Com o novo centro, Itabira se torna referência regional no tratamento oncológico. Segundo o ministro, o serviço deverá atender pacientes de 26 a 30 municípios, centralizando o cuidado e diminuindo deslocamentos longos, especialmente para quem antes precisava viajar até Belo Horizonte. “Esse centro vai atender pelo menos 26 municípios no entorno. Vai chegar a 30. Às vezes aparece alguém que não é da região, mas que acaba sendo atendido aqui.”

Equipamento de alto padrão 100% SUS

O equipamento em Itabira possui tecnologia equivalente aos melhores hospitais privados do país. A diferença: o atendimento é totalmente gratuito pelo SUS. O físico médico responsável confirmou que a máquina tem capacidade para 65 a 75 atendimentos por dia, o dobro da média nacional, que costuma operar com capacidade ociosa.

O novo serviço também está mudando o cenário da saúde local: segundo o ministro, médicos radioterapeutas estão se mudando para Itabira para atuar no centro, o que vai fortalecer o corpo clínico do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), além de ampliar a receita gerada ao município.

“Eu perguntei aos radioterapeutas: vocês são daqui de Itabira? Eles disseram que não. Estavam em Belo Horizonte. Mas por conta desse novo centro, estão se mudando para cá para cuidar do povo.”

80 novos equipamentos e produção mineira

Padilha anunciou também a compra de 80 novos aparelhos de radioterapia para ampliar a rede nacional. Uma parceria firmada com a China permitirá que a tecnologia seja transferida para uma empresa mineira, que passará a produzir parte dos equipamentos em Minas Gerais, gerando emprego e inovação no estado.

“Um sonho que finalmente virou realidade”, disse o ministro

Em seu discurso, o ministro classificou o momento como “um sonho que finalmente virou realidade” e destacou o impacto direto sobre as famílias. “Foram 13 anos em que pessoas precisaram deixar a cidade, enfrentar estrada, ficar longe da família e, muitas vezes, sem um local de acolhimento”, disse. Ele lembrou que Itabira foi uma das cidades escolhidas para receber o aparelho durante o governo Dilma (2012), quando o país realizou a maior compra de equipamentos de radioterapia do mundo. Porém, segundo ele, o projeto quase foi perdido.