Situação no limite: EUA interceptam terceira embarcação próxima da Venezuela
Nenhuma autoridade do governo Trump se manifestou sobre o caso e a Casa Branca, procurada, não confirmou a interceptação
Forças militares norte-americanas estacionadas no Caribe, interceptaram o navio petroleiro Bella 1, de bandeira panamenha, que se dirigia à Venezuela para carregar, segundo informação da agência Bloomberg, que consultou fontes sobre o ocorrido; informação confirmada pela agência Reuters e também pela CNN americana.
A informação, em condição de anonimato, foi fornecida por oficiais do governo dos EUA, que, porém, não informaram o local específico da operação.
Nenhuma autoridade do governo Trump se manifestou sobre o caso e a Casa Branca, procurada, não confirmou a interceptação.
O ditador Nicolás Maduro comparou a atuação dos EUA à corsários:
“Os piratas eram grupos privados que se dedicavam aos mares do mundo para roubar. Os corsários são piratas contratados por um estado imperial”, disse Maduro em vídeo compartilhado em suas redes sociais.
Este é o terceiro bloqueio norte-americano a embarcações venezuelanas. Na manhã de sábado (20), os Estados Unidos bloquearam o superpetroleiro Centuries; no dia 10 de dezembro foi a vez do petroleiro Skipper e, segundo informações do diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, os dois primeiros navios operavam no mercado negro fornecendo petróleo a países sancionados.
A sanção não atinge a todos os embarques que saem da Venezuela.
Empresas norte-americanas como a Chevron, por exemplo, utilizam navios próprios e autorizados.
O petroleiro interceptado ontem tinha como destino a China, segundo documentos a que a Reuters teve acesso.
O petróleo bruto transportado nesta embarcação foi adquirido pela Satau Tijana Oil Trading, uma das muitas intermediárias envolvidas nas vendas da PDVSA para refinarias independentes da China, maior comprador do petróleo venezuelano, representando 4% das importações do gigante asiático, algo em torno de 600 mil barris diários embarcados somente em dezembro.
Especialistas afirmam que a pressão de Trump sobre Maduro é para sufocar a principal fonte de renda da Venezuela, que, se não puder exportar, seus tanques de armazenamento terão excedente, e a estatal PDVSA vai precisar fechar poços de petróleo.
Trump também classificou o governo Maduro de “organização terrorista estrangeira”, acusando-o de envolvimento com o narcotráfico.
Maduro acusa Trump de querer derrubá-lo, tirando-o do poder para assumir o controle das reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo.
“Estamos preparados para acelerar a marcha de uma revolução profunda que dê poder ao povo completa e definitivamente”.
Trump declarou que ataques terrestres ao país podem começar em breve.
Sanções do governo Trump impulsionam o uso de navios ocultos.
Desde 2019, quando os EUA impuseram sanções ao setor de energia da Venezuela, traders e refinarias passaram a recorrer a uma ‘frota fantasma’, composta de navios que ocultam sua localização ou já foram sancionados por transportar petróleo do Irã ou da Rússia.
Dos mais de 70 navios desse grupo em águas venezuelanas, ao menos 38 deles estão sob sanção do governo norte-americano, e 15 deles estão carregados com petróleo e combustíveis, segundo a Tanker Trackers.com.
O Irã, após as primeiras apreensões, declarou solidariedade à Venezuela, oferecendo cooperação para enfrentar o que chamou de “atos ilegais “dos EUA.




