Maioria dos cursos de medicina mal avaliados no Enamed 2025 é da rede privada
Para o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, os números confirmam uma crise estrutural
Dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) nesta segunda-feira (19) revelam um cenário crítico na formação de novos médicos no país. O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, aplicado a 39.256 concluintes, mostrou que 13.871 estudantes (cerca de 35%) estão se formando em cursos com conceito “Crítico” (1) ou “Insuficiente” (2), notas abaixo do mínimo aceitável pela metodologia do próprio MEC.
Para o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, os números confirmam uma crise estrutural. “São mais de 13 mil graduados em medicina que receberão diploma e registro para atender a população sem terem competências mínimas para exercer a medicina. Isso é assustador e coloca em risco a saúde e a segurança de milhões de brasileiros”, alertou.
O problema está fortemente associado à expansão desordenada do ensino superior privado. Das 24 faculdades com conceito 1, 17 são particulares. Entre as 83 com conceito 2, 72 são da rede privada. Em contraste, dos 350 cursos avaliados, apenas 49 alcançaram a nota máxima (5), sendo a grande maioria (84%) de instituições públicas.
O CFM reforçou a defesa pela aprovação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), que seria obrigatório para a concessão do registro profissional. A entidade sustenta que, para segurança da população, todos os cursos deveriam ter, no mínimo, nota 4, o que exigiria que pelo menos 75% dos alunos tivessem um bom desempenho, conforme critérios do MEC.




