Investigação aponta como síndico assassinou a mineira Daiane Alves Souza em Caldas Novas
Corpo foi localizado após indicação do suspeito; vítima tinha histórico de conflitos e denúncias contra a administração do condomínio
A Polícia Civil de Goiás avançou na investigação sobre o assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, natural de Minas Gerais, encontrada morta em uma área de mata em Caldas Novas, no Sul de Goiás. O síndico do prédio onde a vítima morava, Cléber Rosa de Oliveira, de 50 anos, confessou ter ocultado o corpo e indicou o local onde ele foi localizado, mas se recusou a detalhar como ocorreu o homicídio.
De acordo com as apurações conduzidas pela Polícia Civil de Goiás, Daiane foi atraída ao subsolo do edifício, onde desapareceu no dia 17 de dezembro de 2025. Após o crime, o suspeito colocou o corpo da vítima na carroceria de uma caminhonete e o levou até uma região de mata, a cerca de 15 quilômetros da área urbana de Caldas Novas. O cadáver foi encontrado em estado avançado de decomposição e passará por exames no Instituto Médico Legal (IML), que devem apontar a causa da morte.
Além do síndico, o filho dele também foi preso durante a operação policial. Segundo os investigadores, embora Cléber afirme que o filho não participou do homicídio, há indícios de tentativa de ocultação de provas. Um dos elementos analisados é a entrega de um celular novo ao pai após o desaparecimento da corretora. O porteiro do prédio foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos.
As investigações indicam que o suspeito utilizou áreas sem cobertura do sistema de câmeras do condomínio para cometer o crime, o que dificulta a reconstrução da dinâmica dos fatos. A ausência de registros visuais no subsolo é considerada um dos principais obstáculos enfrentados pela polícia neste momento.
A apuração também reúne um conjunto de registros que demonstram um histórico prolongado de conflitos entre Daiane e o síndico do condomínio. A corretora administrava cerca de seis apartamentos da família no prédio e, ao longo de 2025, passou a relatar perseguições, ameaças e restrições impostas pela administração.
Constam boletins de ocorrência, denúncias por violação de domicílio e relatos de agressão física. Em um dos depoimentos, Daiane afirmou ter sido atingida com um soco e uma cotovelada durante um desentendimento. O caso chegou ao Ministério Público de Goiás, que, antes do desaparecimento, já havia denunciado o síndico por perseguição reiterada, com impacto na integridade física e psicológica da vítima.
O conflito também se estendeu à esfera cível, com notificações do condomínio, tentativa de expulsão da corretora e interrupções no fornecimento de energia do apartamento, posteriormente revertidas por decisão judicial. No dia em que desapareceu, Daiane filmava a falta de energia em seu imóvel e questionava a administração do prédio antes de descer ao subsolo, onde não foi mais vista.
Natural de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, Daiane vivia em Caldas Novas havia cerca de dois anos. Caso o corpo seja liberado pelo IML, o sepultamento está previsto para ocorrer em Uberlândia, nesta quinta-feira (29). A Polícia Civil informou que as investigações continuam para esclarecer todos os detalhes do crime e definir, com precisão, a responsabilidade de cada envolvido.




