Vale quer reaproveitar rejeitos do Complexo Minerário de Itabira; projeto prevê operações até 2036
A proposta prevê o reaproveitamento de até 5 milhões de toneladas por ano de bens minerais metálicos e a recuperação de cerca de 5,8 milhões de metros cúbicos anuais de material atualmente disposto em barragens

A Vale S.A. apresentou à Prefeitura de Itabira um pedido de anuência e de Certidão de Uso e Ocupação do Solo para a execução de um projeto de reaproveitamento de bens minerais metálicos e rejeitos dispostos em barragens, diques, cavas e outras estruturas do Complexo Minerário de Itabira. O pedido foi analisado tecnicamente pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Proteção Animal (SEMAPA) e entrará em pauta da próxima reunião do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Codema), marcada para quinta-feira (12).
A manifestação técnica não autoriza o início das atividades, que seguem condicionadas à deliberação do conselho e à obtenção das licenças ambientais estaduais. O projeto integra o processo de licenciamento ambiental e tem como foco o reaproveitamento de rejeitos e estéreis já depositados em estruturas como os diques Minervino e Cordão Nova Vista, barragem de Conceição, barragem e paliçadas do Rio do Peixe, além das cavas Onça e Periquito.
De acordo com os documentos apresentados, a proposta prevê o reaproveitamento de até 5 milhões de toneladas por ano de bens minerais metálicos, a recuperação de cerca de 5,8 milhões de metros cúbicos por ano de material atualmente disposto em barragens e o beneficiamento do material nas usinas já existentes no complexo minerário.
Segundo a Vale, o objetivo é reduzir o volume de rejeitos armazenados, contribuir para a descaracterização de estruturas alteadas a montante, aplicar o conceito de mineração circular e otimizar o uso de áreas já licenciadas, sem abertura de novas frentes de lavra.
De acordo com o relatório técnico da mineradora, as operações estão previstas para iniciar a partir de 2026, após o licenciamento ambiental, com prazos distintos conforme cada estrutura:
- Diques Minervino e Cordão Nova Vista: até dezembro de 2032;
- Barragem de Conceição: até 2036;
- Cavas do Onça e Periquito: entre 2026 e 2027;
- Barragem e Paliçadas do Rio do Peixe: até março de 2034.
O projeto prevê a mobilização de 443 trabalhadores, sendo: 331 na área operacional e 112 nas áreas administrativa e de apoio. O regime será contínuo, em dois turnos de 12 horas, com monitoramento ambiental permanente, segundo a empresa.

Diques Minervino e Cordão Nova Vista
Nessas estruturas, a Vale prevê o reaproveitamento de cerca de 16,8 milhões de toneladas de rejeitos, com teor médio aproximado de 37% de ferro. A produção seguiria uma curva crescente, com pico entre 2028 e 2031. O material seria escavado mecanicamente durante o processo de descaracterização, transportado para pilhas intermediárias e beneficiado nas Usinas Conceição e Cauê. O rejeito que não atender aos critérios técnicos seria destinado a outras estruturas já licenciadas no complexo.
No pico da operação, entre 2028 e 2031, a Vale estima a movimentação anual de 2,5 milhões de toneladas e cerca de 413 viagens de caminhão por dia – o equivalente a 46 viagens por hora, ou um caminhão a cada 1,3 minuto.
O transporte externo está previsto para ocorrer pelo acesso da Portaria do Centro de Educação Ambiental (CEA), com ligação direta à MG-462, evitando o tráfego pesado em bairros residenciais. Nos períodos iniciais (2027) e finais (2032), o fluxo cairia para cerca de 82 viagens diárias.
Barragem de Conceição, cavas do Onça e Periquito e Rio do Peixe
Na Barragem de Conceição, o reaproveitamento será feito por dragagem hidráulica, com bombeamento direto do material para a usina, sem uso de caminhões. A expectativa é recuperar cerca de 7 milhões de metros cúbicos de rejeitos, em duas fases:
- 2026 a 2027: produção média de 313 mil m³/ano;
- 2027 a 2036: produção média de 360 mil m³/ano.
Nas cavas do Onça e Periquito, o foco é a retirada de cerca de 8 milhões de metros cúbicos de rejeitos, permitindo a retomada da lavra mineral nessas áreas. A atividade pode gerar entre 350 e 400 viagens diárias, restritas às vias internas da mina.
Já na Barragem e Paliçadas do Rio do Peixe, a dragagem será feita exclusivamente por via hidráulica, com envio do material por tubulações até as usinas, sem transporte rodoviário. A Vale afirma que o impacto no tráfego será nulo ou desprezível, em uma operação de longo prazo, estimada em oito anos.
Impactos ambientais e medidas de controle
O Relatório Ambiental Simplificado (RAS) aponta impactos associados principalmente à: emissão de poeira, geração de ruídos, vibração sísmica e tráfego de veículos e equipamentos. Como medidas de controle, a SEMAPA destaca a adoção de programas já existentes no complexo, como:
- monitoramento da qualidade do ar, com aspersão de água e controle de velocidade;
- monitoramento de ruídos, conforme normas da ABNT;
- monitoramento de vibração sísmica;
- manutenção preventiva de máquinas e equipamentos.




