Em despedida marcada por emoção e gratidão, Dom Marco Aurélio Gubiotti afirma: “eu me tornei membro da família da Diocese”
Celebração reuniu centenas de fiéis na Catedral de Itabira e marcou o encerramento de 13 anos de liderança pastoral antes de assumir como arcebispo em Juiz de Fora

A Diocese de Itabira e Coronel Fabriciano viveu, no último domingo (22), um dos momentos mais simbólicos de sua trajetória recente. Em uma celebração marcada por emoção, homenagens e reconhecimento, Dom Marco Aurélio Gubiotti se despediu oficialmente da comunidade católica durante missa na Catedral Diocesana Nossa Senhora do Rosário, em Itabira, encerrando um ciclo de 13 anos de episcopado na região.
A celebração foi precedida por uma procissão que partiu da Residência Episcopal até a catedral, acompanhada por fiéis, religiosos e manifestações culturais tradicionais, como grupos de congado, que prestaram reverência ao bispo. Nem mesmo a chuva impediu a presença do público: a catedral ficou completamente lotada e um telão foi instalado na área externa para permitir que os fiéis acompanhassem a cerimônia.
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Em seu discurso, Dom Marco Aurélio expressou profunda gratidão pela acolhida recebida ao longo de mais de uma década de missão pastoral.
“Recebo com muita humildade essas palavras, tendo em vista que reconheço também os meus limites e as minhas falhas, e desde já peço perdão. No entanto, acolho com muito carinho, com muito afeto essas palavras, porque quando eu cheguei aqui eu era apenas um padre ordenado bispo, e foi a acolhida, o apoio que eu encontrei, que me fizeram bispo. Eu fui me tornando bispo a partir dessa convivência”, afirmou.
O religioso destacou que sua identidade episcopal foi construída a partir da convivência com o clero e com os fiéis.
“Eu, por graça de Deus, fui escolhido para ser bispo, mas, por acolhimento de vocês, eu me tornei um membro da família da Diocese de Itabira e Coronel Fabriciano. E eu me sinto muito honrado de ser membro dessa família, de ser irmão nessa família. E uma transferência e uma mudança de cidade não anulam um laço familiar”, declarou.

Reconhecimento institucional e legado pastoral
Ao longo da celebração, lideranças civis e representantes de instituições prestaram homenagens e destacaram o legado deixado por Dom Marco Aurélio. O prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage (PSB), ressaltou a dimensão histórica de sua atuação.
“Momentos de muita emoção, porque é um momento de celebrar todo o legado do Dom Marco Aurélio. Esse legado incrível, com apenas 13 anos de sacerdócio, legado na Igreja, como foi dito também, a valorização, o fortalecimento da diocese como um todo, das pastorais, o seu incentivo às vocações e principalmente no seu cuidado com o seu inabalável compromisso com o Evangelho e com a defesa daqueles que mais precisam”, afirmou.
Como forma de reconhecimento público, o prefeito e a primeira-dama Raquell Guimarães entregaram ao bispo a Comenda Personalidade de Ferro, honraria criada pelo município para destacar personalidades que contribuíram significativamente para a história e o desenvolvimento de Itabira.
“Essa cidade que é moldada pelo ferro na sua paisagem, é moldada pelo ferro na nossa economia e parte importante da nossa história. E a gente destaca com a personalidade de ferro essas pessoas, como o Dom Marco Aurélio, que moldou nesses anos, deixou legado, deixou cultura, deixou história, deixou fé entre nós”, destacou Marco Antônio Lage.
A primeira-dama Raquell Guimarães também enfatizou o impacto social e humano da atuação episcopal. “Hoje, nesta catedral festiva, nós estamos celebrando o fim de um ciclo de 13 anos de uma grande liderança cristã e de um grande governo pastoral para Itabira. E por isso, Dom Marco, meu querido amigo, é que eu lhe sou grata, porque o Senhor cumpriu cada um desses dias, nesse ciclo de 13 anos, lutando pela dignidade da saúde de Itabira”, afirmou.
Presença marcante nas instituições e na sociedade
Além da liderança religiosa, Dom Marco Aurélio teve papel decisivo em importantes instituições da região. Presidente da Irmandade Nossa Senhora das Dores (INSD), mantenedora do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), ele acompanhou de perto desafios e avanços da área da saúde.
“Nosso coração está em festa por sua elevação à condição de arcebispo da Arquidiocese de Juiz de Fora. No entanto, nosso coração também já sente saudades. Foram 13 anos de compartilhamento de conhecimentos, de dedicação e de indicação dos caminhos para continuar e fazer o crescimento da instituição Irmandade Nossa Senhora das Dores”, declarou José Gerson Querobino, provedor do HNSD.
O próprio bispo destacou o vínculo com o hospital e o significado de sua atuação. “Sou muito feliz e muito orgulhoso de fazer parte, por 13 anos, da história desse mais que centenário hospital. Tenho certeza de que o Hospital Nossa Senhora das Dores tem uma vocação para o crescimento e também para cada vez mais melhorar o seu atendimento”, disse.
Na área educacional, sua participação também foi determinante para o fortalecimento da Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira (Funcesi). “Reconhecemos nesse acontecimento o merecido tributo à sua incansável dedicação, à sua profunda sabedoria pastoral e ao seu inestimável serviço à Igreja e à sociedade. Sua sabedoria, orientação e comprometimento foram pilares essenciais para a governança da instituição”, afirmou Maurício Mendes, presidente da Funcesi.

Trajetória marcada por proximidade e compromisso
Natural de Ouro Fino (MG), Dom Marco Aurélio Gubiotti assumiu a Diocese de Itabira e Coronel Fabriciano em junho de 2013, tornando-se o quinto bispo da circunscrição. Durante sua gestão, fortaleceu as pastorais, incentivou vocações religiosas e consolidou vínculos com as comunidades paroquiais.
Ordenou dezenas de diáconos permanentes, acompanhou momentos críticos, como a pandemia da Covid-19, e se posicionou em questões sensíveis, incluindo os impactos sociais e humanos relacionados à mineração e às tragédias envolvendo barragens em Minas Gerais.
Sua atuação também se destacou pelo diálogo com a sociedade civil, o apoio à educação e o compromisso com a saúde pública, especialmente por meio do Hospital Nossa Senhora das Dores.
Novo capítulo em Juiz de Fora
Nomeado arcebispo metropolitano de Juiz de Fora pelo Papa Leão XIV, Dom Marco Aurélio assumirá oficialmente a nova missão no próximo dia 7 de março, passando a liderar uma arquidiocese de grande relevância pastoral em Minas Gerais.
Em sua despedida, ele reforçou que, apesar da nova responsabilidade, o vínculo com a Diocese permanecerá vivo. “Lá em Juiz de Fora, sendo arcebispo daquela arquidiocese, eu não deixarei de ser irmão. E eu não irei perder esse sentimento de pertença que foi conquistado ao longo desses 13 anos”, afirmou.
A missa de despedida simbolizou mais do que uma transição administrativa. Representou o reconhecimento de uma liderança construída com proximidade, escuta e compromisso com a fé e com a comunidade. Entre aplausos e manifestações de carinho, fiéis, autoridades e instituições celebraram o legado de um bispo que marcou profundamente a história da Diocese e que agora inicia um novo capítulo como arcebispo, levando consigo a gratidão e a memória de um povo que ele próprio passou a chamar de família.




