Rio transbordado e transporte suspenso afetam dinâmica de Juiz de Fora
Estudante da UFJF relata impacto nas aulas, estágios e alerta para riscos à saúde após enchentes; Chuvas deixam 16 mortos
A cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, enfrenta os efeitos de uma das maiores tragédias provocadas pelas chuvas em sua história recente. Segundo atualização do Corpo de Bombeiros, até o momento são 16 mortes confirmadas no município e 47 pessoas desaparecidas. Em Ubá, também atingida pelos temporais, há registro de seis óbitos.
Na noite de segunda-feira (23), o volume de chuva provocou alagamentos, deslizamentos e o transbordamento do Rio Paraibuna, que corta a cidade. A Prefeitura já havia confirmado 14 mortes e 251 ocorrências relacionadas ao temporal. A estimativa é de que ao menos 440 pessoas estejam desabrigadas. Diante do cenário, foi decretado estado de calamidade pública.
O impacto na mobilidade urbana é amplo. O transbordamento do Paraibuna bloqueou trechos da Avenida Barão do Rio Branco, uma das principais vias do município. Pontos como a Ponte Vermelha, no bairro Santa Terezinha, e o Mergulhão da Rio Branco foram interditados. Há registros de queda de árvores, desmoronamentos e encostas comprometidas em diferentes regiões.
Estudante de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Pedro Chabot, relata que a rotina acadêmica foi suspensa. “As aulas foram canceladas e os estágios nas unidades da prefeitura também foram interrompidos. O transporte público não saiu da garagem hoje. A cidade tem vários pontos com trânsito bloqueado por desabamentos e queda de barrancos”, afirmou. Ele cita um caso próximo de sua residência que evidencia a dimensão dos estragos. “Um restaurante perto da minha casa sofreu um desabamento grande dentro do imóvel. A situação está bem triste”, disse.
Segundo ele, a orientação das autoridades é para que a população permaneça em casa, evitando áreas de risco. “Nos grupos de trânsito, a todo momento surgem alertas sobre trechos interditados e rotas alternativas. Mas a recomendação é não circular”, disse.
A UFJF informou a suspensão das atividades acadêmicas até sexta-feira. Na área da saúde, onde parte dos atendimentos é assistencial, as decisões estão sendo avaliadas conforme a evolução do cenário. No Hospital Universitário e em unidades básicas, alunos foram dispensados nesta terça-feira (24).
Pedro também chama atenção para os riscos sanitários após enchentes. Entre as principais preocupações estão doenças de veiculação hídrica, como leptospirose, hepatite A e quadros diarreicos. “Quem teve contato com água de enchente deve observar sintomas como febre, dores musculares, conjuntivite, vômitos e diarreia. É importante procurar atendimento em caso de qualquer alteração”, orienta. Ele destaca ainda o risco de aumento de casos de dengue, zika e chikungunya, devido ao acúmulo de água parada.
Em meio à tragédia, estudantes e entidades locais organizam campanhas de arrecadação de alimentos, água potável, roupas e itens de higiene. A Atlética de Medicina da UFJF montou ponto de coleta na faculdade e também recebe doações por meio de transferência eletrônica para compra de mantimentos destinados às famílias atingidas.




