André Mendonça resiste em enviar caso Master para a 1ª Instância
O ministro teme que o desmembramento possa abrir uma brecha que anule os atos no processo
Relator do caso Master, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça não parece disposto em enviar o processo sobre a fraude financeira para a primeira instância, neste primeiro momento.
Mendonça vê risco de nulidade com desmembramento de ação e deu prazo à PF (Polícia Federal) de 60 dias para apresentar indícios sobre autoridades com foro privilegiado, além de dificuldade de um eventual desmembramento diante das conexões apontadas nas diversas frentes de investigação.
O objetivo é que a PF faça um levantamento de possíveis indícios de autoridades com foro privilegiado e o banqueiro Daniel Vorcaro.
A partir dessas informações Mendonça deverá se manifestar sobre esse ponto, já que, por enquanto, as reuniões do relator com os investigadores têm sido dedicados ao procedimento do inquérito, sem avançar sobre situações específicas de autoridades com foro.
Em decisão recente, Mendonça determinou a devolução do material apreendido à PF e autorizou a instituição a fazer as extrações, análises e indexações dos cerca de 100 dispositivos eletrônicos apreendidos.
O ministro teme que o desmembramento possa abrir uma brecha que anule os atos no processo, permitir o risco de vazamento de informações, com mais pessoas tendo acesso ao inquérito e de que, a remessa, mesmo que parcial à primeira instância, pode gerar atrasos no andamento das investigações.
Uma de suas primeiras ações como relator, Mendonça restringiu o acesso da cúpula da PF aos detalhes do inquérito, com a intenção de proteger as informações, permitindo que somente os investigadores diretamente ligados às diligências tenham conhecimento dos fatos.
Interlocutores do ministro garantem que não é uma ação contra o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, mas de uma técnica de compartilhamento da informação adotada como padrão por ele em todos os processos.
Na segunda-feira (23), Mendonça teve uma reunião com cerca de três horas de duração com delegados da PF que atuam no caso Master, no sentido de atualizar as investigações; ocasião em que a PF apresentou um relato atual sobre o andamento das apurações, além de apresentarem a relação de processos ligados à Operação Compilance Zero e de seus desdobramentos que tramitam na Corte sob a relatoria de Mendonça.




