Mesmo com reajuste, greve dos professores tem baixa adesão em Minas

Mesmo após reajuste de 5,4% anunciado pelo governo estadual, categoria mantém paralisação e reivindica recomposição de 41,83% referente a perdas acumuladas desde 2019

Mesmo com reajuste, greve dos professores tem baixa adesão em Minas
Imagem: SindUTE/MG

A greve dos professores da rede estadual começou nesta quarta-feira (4) e segue mantida em Minas Gerais. No entanto, o movimento apresentou baixa adesão em diversas cidades. Em muitas escolas, as aulas ocorreram normalmente e sem interrupções significativas.

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) convocou a paralisação antes do anúncio do reajuste salarial de 5,4% para 2026. Mesmo após o governo confirmar o índice, a categoria decidiu manter o movimento. Segundo o sindicato, o percentual não cobre as perdas acumuladas nos últimos anos.

De acordo com a direção sindical, os profissionais acumulam defasagem de 41,83% entre 2019 e 2025. Além disso, a entidade afirma que o Estado não cumpriu integralmente os reajustes definidos pelo Ministério da Educação (MEC). Em alguns anos, conforme o sindicato, o governo concedeu índice abaixo do piso nacional. Em outros, não aplicou reajuste.

“Nós queremos todos os anos, desde 2019 até agora, em que tivemos reajustes abaixo do que a portaria do MEC fixava ou em anos em que o MEC fixou reajuste e o governo de Minas fez zero reajuste para a nossa categoria”, afirmou Denise Romano, representante dos trabalhadores.

Escolas funcionam parcialmente

Apesar da mobilização, muitas unidades mantiveram o funcionamento. Diretores reorganizaram horários e garantiram parte das atividades. Por isso, o impacto imediato da paralisação ficou limitado no primeiro dia.

O sindicato, por sua vez, declarou que ainda não possui um levantamento consolidado da adesão. Segundo a entidade, a extensão territorial de Minas dificulta a coleta rápida de dados. Além disso, o Sind-UTE/MG não conta com subsedes em todos os municípios.

Governo defende política salarial

O governo de Minas afirmou que regularizou o pagamento dos salários em 2021. Desde então, segundo o Executivo, os servidores recebem até o quinto dia útil. Ainda conforme a administração estadual, o Estado concedeu reajuste de 10,06% em 2022, após mais de uma década sem revisão geral.

Em 2024, o governo aplicou recomposição de 4,62%. Agora, anunciou índice de 5,4% para 2026. O percentual vale para servidores ativos, inativos e pensionistas da administração direta e indireta.

Além disso, o Executivo argumenta que enfrenta restrições fiscais. Mesmo assim, sustenta que mantém recomposições salariais dentro dos limites orçamentários.

Categoria critica piso e condições de trabalho

Os professores afirmam que Minas paga um dos menores salários do país. Segundo a categoria, o Estado não cumpre o piso nacional para profissionais com ensino superior. Além da remuneração, os trabalhadores apontam precarização das escolas e sobrecarga de trabalho.

“Nós estamos já há oito anos sofrendo com esse pior salário do país que é praticado aqui no estado de Minas Gerais, sofrendo com falta de condições de trabalho e com a precarização da nossa categoria”, declarou Denise Romano.

Enquanto isso, a direção sindical promete ampliar a mobilização nos próximos dias. Portanto, o cenário ainda pode mudar conforme a evolução das negociações.