Júri em BH julga mulher presa acusada de matar companheiro que abusou da filha
Denúncia aponta homicídio qualificado, destruição de cadáver e corrupção de menor, e defesa sustenta versão apresentada no interrogatório
O 2º Tribunal do Júri de Belo Horizonte realiza nesta terça-feira (24) o julgamento de Erica Pereira da Silveira Vicente, acusada de matar Everton Amaro da Silva na madrugada de 11 de março de 2025, no bairro Taquaril, na região Leste da capital. A sessão teve início por volta das 9h no Fórum Lafayette. O interrogatório da acusada ocorreu na sequência das testemunhas e deu mais detalhes do dia que ocorreu o crime.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Erica responde por homicídio qualificado, com imputação de motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de destruição de cadáver e corrupção de menor, por suposta participação de um adolescente na fase posterior ao crime. Segundo a acusação, o caso envolve um relacionamento entre ré e vítima, e o episódio teria sido desencadeado por um conflito dentro da residência do casal, seguido por uma sequência de agressões e posterior remoção do corpo para uma área de mata.
No interrogatório, Erica afirmou que a filha tinha 11 anos na época e que conhecia Everton desde a infância, por morarem próximos, mantendo um vínculo afetivo intermitente. Disse que, semanas antes do crime, tomou conhecimento de mensagens de teor sexual atribuídas ao homem enviadas à menina. Sobre a madrugada do episódio, a ré declarou que ele chegou embriagado, negou ter administrado medicamento e negou relação sexual antes dos fatos. Ainda conforme o relato, ela acordou com a filha gritando e descreveu uma tentativa de violência contra a criança. Afirmou que arrastou o homem para a sala e o atacou com uma faca. Disse também que um adolescente entrou na casa após ouvir a movimentação e que, somente depois, houve a decisão de retirar o corpo do imóvel e levá-lo para uma área de mata, onde ela afirmou ter ateado fogo.
A versão do Ministério Público, por sua vez, sustenta que a vítima teria sido colocada em situação de vulnerabilidade antes da agressão, com indicação de ingestão de álcool e possível uso de substância controlada, e que a execução teria ocorrido com recursos que reduziram a capacidade de defesa. A acusação também aponta participação do adolescente em atos posteriores e sustenta que o crime teria ocorrido com violência prolongada, o que fundamenta a qualificadora de meio cruel.
O caso ganhou repercussão quando veio a público, em 2025, por envolver suspeita de violência contra criança no contexto familiar e pela gravidade das acusações. À época, a apuração indicou que o corpo foi encontrado em área de mata e a investigação avançou a partir de diligências na região. Agora, o Conselho de Sentença decide se acolhe a tese acusatória, se reconhece qualificadoras e quais crimes serão atribuídos, etapa que define o desfecho do júri no primeiro grau.
Após as oitivas e o interrogatório, o julgamento segue para os debates entre acusação e defesa, réplica e tréplica, e, por fim, a votação dos jurados.




