Em busca de alternativas

Barão de Cocais planeja criar um distrito industrial

Em busca de alternativas

O cenário é menos caótico, mas ainda preocupa Barão de Cocais. Depois de anunciar que fecharia a mina de Gongo Soco no final deste ano, a Vale reconsiderou a decisão e vai manter a lavra em operação por mais algum tempo – só que produzindo menos da metade dos atuais 4 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. “É melhor do que nada”, afirma o secretário municipal da Fazenda, Cirilo José Bento, que refaz as contas para ver o tamanho do impacto na arrecadação.

Quando saiu a notícia de que a mina seria fechada, ainda no governo anterior, a equipe da prefeitura calculou que a redução na receita de Barão de Cocais seria de cerca de 40%. No novo cenário, pela lógica, a queda deve ser de 20%.

De acordo com informações não oficiais, a produção de Gongo Soco será somada à da mina de Baú para chegar a 2 milhões de toneladas por ano em 2014. Em 2015, a previsão é que Dois Irmãos, outra reserva da empresa no município, entre em operação e mantenha o ritmo de produção. A partir de 2016, é possível que Dois Irmãos e Gongo Soco voltem ao patamar de 4 milhões de toneladas por ano de minério de ferro.

Os dados, de acordo com Cirilo, são do gerente-geral do Complexo Minas Centrais, Rodrigo Chaves. O secretário informou também que o problema de Gongo Soco não tem a ver com a exaustão do minério de ferro, mas com segurança. “Há uma fratura em uma rocha lá que estaria colocando a operação em risco”, contou. O prazo de dois anos seria suficiente para solucionar o problema.

Diante da situação, as ideias confluíram para a criação de um distrito industrial, ou condomínio de empresas, como afirma o ex-prefeito e atual secretário de Desenvolvimento Econômico, Geraldo Abade das Dores. “A ideia geral é funcionar com 10, 15 empresas, mas ainda estamos fazendo um trabalho para ver se é viável”, disse.

Prefeitura, Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig), empresas, Associação Comercial local e Governo do Estado estão empenhados na discussão. Segundo Abade, a intenção inicialmente é estruturar uma área para receber empreiteiras que têm interesse em atender às demandas das grandes empresas já presentes na região, como Msol, Gerdau, AngloGold Ashanti e a própria Vale.

É provável que o condomínio industrial seja construído em um terreno de aproximadamente 20 hectares, perto da represa de Peti. Há também uma área localizada entre o Centro de Distribuição da Vale e o presídio com condições de sediar os galpões, contudo há algumas discussões sobre sua viabilidade.

O projeto pode representar o primeiro passo rumo à diversificação econômica. Só há um problema: dinheiro. Em 2013, a previsão orçamentária para o município é de R$ 72 milhões, dos quais cerca de 30% vão para a área da saúde, que sofre a sobrecarga da população flutuante derivada das empresas que se instalam na região. Com a redução das atividades mineradoras, o recurso vai minguar exatamente em um momento em que o caixa precisava estar vigoroso para dar conta de investir no distrito industrial.

Para atrair a atenção dos empresários e investidores, o distrito precisa disponibilizar uma área com infraestrutura adequada (água, luz, telefonia móvel, acesso pavimentado) e algum diferencial em relação às concorrentes, por exemplo, São Gonçalo do Rio Abaixo. No caso da logística, a promessa de duplicação da BR-381 e o asfaltamento entre Barão e Caeté, na região metropolitana, contam pontos. Por outro lado, os entraves na licitação para duplicação da mesma rodovia federal e a instabilidade política pela qual passa o município, com o prefeito enfrentando processos de cassação, tornam o quadro ainda mais delicado. Barão de Cocais se tornou um exemplo prático de que diversificar é preciso – e o quanto antes, melhor.