Acessibilidade vai além de rampas e exige mudanças estruturais em Itabira, defende presidente de conselho municipal da pessoa com deficiência

Vereadores reconhecem desafios e cobram ações concretas para ampliar a inclusão em Itabira

Acessibilidade vai além de rampas e exige mudanças estruturais em Itabira, defende presidente de conselho municipal da pessoa com deficiência
Foto: Guilherme Guerra/DeFato
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Durante a reunião ordinária da Câmara Municipal de Itabira, realizada nesta terça-feira (7), o presidente do Comitê Municipal da Pessoa com Deficiência, Heryck Alexandre Ferreira Santos, utilizou a tribuna para levantar um debate amplo sobre acessibilidade e inclusão no município. Em sua fala, ele destacou que, apesar de avanços, ainda há obstáculos significativos que limitam a autonomia das pessoas com deficiência.

Heryck chamou atenção para a necessidade de ampliar o entendimento sobre acessibilidade. Segundo ele, o conceito vai além de estruturas físicas, como rampas e pisos táteis. “A acessibilidade não é somente uma rampa de acesso. É dar condição para que a pessoa com deficiência possa, de fato, ocupar o espaço público e se sentir pertencente”, afirmou.

Durante o pronunciamento, Heryck também ressaltou a falta de acessibilidade em espaços públicos, incluindo a própria Câmara Municipal. “Ainda há coisas que precisam ser modificadas dentro dos espaços públicos”, pontuou, defendendo também a presença de intérpretes de Libras para garantir a comunicação com pessoas surdas.

Ao abordar a empregabilidade, o presidente do comitê criticou a forma limitada como o mercado ainda enxerga a inclusão. Ele argumentou que cumprir cotas não é suficiente e que é preciso reconhecer as capacidades técnicas e humanas das pessoas com deficiência. “Muitas vezes, a pessoa tem formação, mas não consegue atuar na área em que estudou”, destacou.

Presidente da Câmara reconhece que o Legislativo precisa avançar na prática

O presidente da Câmara, Carlos Henrique da Silva Filho, o “Carlin Filho” (Solidariedade), reconheceu a relevância do tema e admitiu que o Legislativo precisa avançar na prática. Em sua fala, ele destacou que o debate não pode se limitar ao discurso. “A gente precisa sair da teoria e avançar em ações concretas dentro da própria Casa”, sinalizou.

Já o vereador Hudson Santos, o “Yuyu da Pedreira” (PSB), enfatizou o papel dos conselhos municipais como instrumentos fundamentais de controle social. Ele avaliou que, apesar dos avanços, Itabira ainda está longe de garantir inclusão plena. “A cidade ainda tem um longo caminho a percorrer quando o assunto é acessibilidade e inclusão”, afirmou, ao reforçar o compromisso de apoiar iniciativas voltadas às pessoas com deficiência.

Na mesma linha, o vereador Júlio “Contador” (PSB) chamou atenção para a necessidade de fazer com que a legislação existente seja efetivamente cumprida. Ele citou exemplos de normas que ainda não saíram do papel, como a obrigatoriedade de intérpretes de Libras em eventos públicos, e criticou a falta de estrutura em prédios públicos. “Há muito o que se fazer. A inclusão precisa acontecer de forma plena”, disse.

Encerrando sua fala, Heryck reforçou que sua manifestação vai além de uma posição institucional e representa uma demanda coletiva. “Minha voz não é apenas a de um representante, mas a de itabiranos que buscam diariamente o direito simples e fundamental de pertencer e transitar em sua própria cidade”, afirmou.