Jornalista destaca papel da imprensa no enfrentamento à violência contra as mulheres e na construção de narrativas mais responsáveis

Outro ponto levantado foi a proximidade da imprensa com a comunidade

Jornalista destaca papel da imprensa no enfrentamento à violência contra as mulheres e na construção de narrativas mais responsáveis
Foto: Victor Eduardo/Funcesi
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Durante a roda de conversa “Cultura da Paz como instrumento de combate ao feminicídio”, que fez parte da Conferência Livre dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), promovida pela Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira (Funcesi), a jornalista do Portal DeFato Online, Giovanna Victória, destacou o papel da imprensa no enfrentamento à violência contra a mulher e refletiu sobre como a linguagem utilizada nas notícias pode influenciar a percepção social sobre casos de feminicídio e violência doméstica.

Segundo ela, a forma como uma notícia é construída também educa a sociedade. Manchetes, termos e abordagens adotadas no jornalismo podem reforçar estereótipos ou contribuir para uma compreensão mais responsável sobre a violência de gênero.

Durante sua fala, Giovanna relatou uma reflexão recente sobre o uso da expressão “não aceitou o fim do relacionamento” em uma manchete. Embora a frase parecesse descrever um contexto comum em crimes de feminicídio. Após conversar com outras mulheres, ela percebeu que esse tipo de formulação pode transmitir uma carga emocional que suaviza a gravidade da violência, sugerindo uma reação impulsiva, em vez de evidenciar relações de posse, controle e poder.

A jornalista destacou que esse exercício de revisão e amadurecimento precisa acontecer diariamente dentro das redações, principalmente diante de temas sensíveis. Para ela, o cuidado com as palavras não é apenas uma questão técnica, mas também social. “Muitas vezes usamos expressões no automático, mas algumas palavras carregam sentidos que suavizam a violência e afastam a compreensão real do problema”, explicou.

Imprensa como canal de denúncia

Outro ponto levantado foi a proximidade da imprensa com a comunidade. Giovanna ressaltou que muitas mulheres ainda têm dificuldade em reconhecer situações de violência, medo de denunciar ou receio de buscar apoio institucional. Nesse contexto, veículos de comunicação acabam sendo vistos como espaços de escuta e acolhimento. “A imprensa também ocupa um papel importante porque, em muitos casos, mulheres enxergam o jornalismo como um espaço mais acessível para buscar orientação ou acolhimento”, pontuou.

Ela também defendeu maior integração entre os canais de comunicação e forças de segurança, fortalecendo a circulação de informações sobre canais de denúncia, rede de apoio e direitos das vítimas.

Ao abordar o conceito de Cultura da Paz, a jornalista afirmou que o enfrentamento à violência não está ligado à ausência de conflitos, mas à forma como a sociedade escolhe lidar com eles. Segundo ela, o debate precisa gerar incômodo e mobilização, para que mudanças estruturais aconteçam e a violência deixe de ser naturalizada.