Há uma reclamação das empresas de que falta mão de obra qualificada. Engenheiros também estão escassos no Brasil?
Na verdade, o país hoje tem engenheiros suficientes para promover o seu desenvolvimento. Evidentemente que nossos profissionais precisam sempre se qualificar, o que não depende do número de profissionais, mas de uma atividade constante de formação. As tecnologias estão sempre em um ambiente de inovação. Estamos precisando, mesmo, é de ter mais serviços de infraestrutura, mais obras e mais produtividade na agricultura. Não posso dizer o mesmo em relação a outras profissões, mas a engenharia consegue promover o desenvolvimento do país com tranquilidade.
E essa ideia de importar engenheiros?
No meu modo de pensar, importar engenheiros é você abrir mão de sua soberania e terceirizar a possibilidade de aprender e reter tecnologias. Quando se fala em importar profissionais, o país está prejulgando que alguém de fora saiba mais do que nós e que devem vir para cá fazer o que não sabemos. Se não sabemos, o espaço de aprender, de desenvolver e de inovar é o do trabalho. Não é verdade que os nossos engenheiros, quando entramos na recessão, estiveram em outros países promovendo o desenvolvimento. Globalização, intercâmbio e troca de experiências acho muito salutar. O país precisa disso. Agora, dizer que não temos engenheiros e precisamos importar profissionais não é verdade.
Na situação atual, fazer engenharia é um bom negócio?
Fazer engenharia depende não de uma avaliação de negócio, mas de uma avaliação muito vocacional. Como toda profissão, essa exige muitos esforços, tanto para seu aprendizado quando para o bem-estar do profissional no seu exercício. Depende de perfil, de vocação em primeiro lugar. Depende também de investimento no Ensino Médio, no Ensino Fundamental, nas disciplinas de Matemática, Química e outras que exigem raciocínio. O engenheiro é um profissional que inventa. Para inventar ele precisa aproveitar todo o conhecimento da história, que é transformada em processo e em produtos. Isso depende muito mais de vocação. Mas eu diria que em qualquer momento da história, fazer engenharia é uma boa ideia. Sou um vocacionado e penso que os profissionais que são assim não se arrependeram de ser engenheiros. Não me vejo em outra profissão que não na engenharia, na recessão e também no desenvolvimento.
Qual a importância das associações, como a Asseag, para os profissionais da área?
A importância é fundamental. Veja bem: a engenharia é atividade fim, é aquela que pega para construir. Constrói o prédio, as fábricas que fazem as roupas, geram energia e produz esse transistor que está gravando a minha voz. Temos outras profissões importantíssimas, como a medicina, mas ainda para você fazer a terapia na medicina vai precisar da engenharia. A engenharia está em tudo e por isso somos atividade fim. Para isso, precisamos fazer com que a sociedade saiba ainda mais sobre a nossa profissão, e não tem outra forma de fazer senão pelo associativismo. A associação é parte integrante do Crea e, na minha gestão, ela é pilar da estrutura.