Série mostra a rotina de terreiro e amplia o debate sobre religiões de matriz africana em Itabira

A série produzida pelo portal DeFato Online teve como objetivo ampliar o conhecimento sobre as religiões de matriz africana

Série mostra a rotina de terreiro e amplia o debate sobre religiões de matriz africana em Itabira
Foto: Giovanna Victoria/DeFato
O conteúdo continua após o anúncio


Ao longo de três episódios, o Portal DeFato Online abriu espaço para apresentar ao público um pouco da história, dos fundamentos e da rotina da Umbanda em Itabira. A série sobre religiões de matriz africana foi gravada na Tenda Espírita de Umbanda Filhos de Ogum e Oxóssi, conduzida há mais de três décadas pelo líder espiritual Gilman Raulino.

Além de explicar os rituais e a organização do terreiro, o conteúdo buscou promover informação e diálogo sobre uma das religiões mais presentes na cultura brasileira, mas que ainda enfrenta preconceitos e desinformação.

No primeiro episódio, Gilman explicou as origens da Umbanda, religião que surgiu no Brasil a partir da influência de diferentes tradições religiosas e culturais. Segundo ele, a Umbanda reúne elementos do catolicismo, do espiritismo kardecista, das tradições indígenas e das religiões de matriz africana. “Antes de criticarem o que é Umbanda, venham primeiro ver, conversar e dialogar para entender como realmente funciona. Eu não critico religião nenhuma. Acho que todas as religiões são bonitas”, afirmou.

O líder espiritual também destacou a relação da religião com os elementos da natureza e a importância do respeito entre diferentes crenças. Para ele, o acolhimento é um dos principais pilares da prática religiosa.

Tradição construída ao longo de décadas

No segundo episódio, a equipe acompanhou o funcionamento da Tenda Espírita de Umbanda Filhos de Ogum e Oxóssi, que está estabelecida em Itabira desde 1992, e atualmente localizada no bairro Juca Rosa.

Gilman relembrou que iniciou os trabalhos na cidade de forma simples, utilizando espaços da própria residência para receber os primeiros frequentadores. Com o crescimento da corrente espiritual, o terreiro passou a contar com estrutura administrativa, diretoria, organização financeira e regularização legal para a realização das atividades.

 

A mãe pequena da casa, Dalvimar Assis, também participou da série e destacou que a manutenção das atividades da casa exige uma estrutura organizacional que vai além dos trabalhos espirituais. Segundo ela, a realização das festas dedicadas aos orixás, das comemorações e das demais atividades do terreiro depende de planejamento e da atuação conjunta da diretoria. “O pai de Santos fica aqui na frente e por trás eu tenho que resolver tudo sobre as festas que tem aqui de cada Orixá, as comemorações e tudo que é editado pelo terreiro”, contou.

Para Naiara Lana, uma da filhas de santo mais antigas da casa, a disciplina é um elemento importante na rotina do terreiro, mas sempre pautada pelos princípios da Umbanda. “A única disciplina que a gente preza é amor e respeito. Tudo é muito leve, desde que siga realmente os preceitos da Umbanda: fé, amor e caridade”, afirmou.

Ela também ressaltou que o terreiro é totalmente regulamentado, assumindo responsabilidades administrativas e legais necessárias para manter as atividades em funcionamento.

Além dos frequentadores de Itabira, a tenda recebe pessoas de municípios vizinhos e até de Belo Horizonte, que procuram orientação espiritual, acolhimento e participação nas atividades religiosas.

A história de Zé Pilintra

No último episódio, Gilman compartilhou sua ligação com Zé Pilintra, uma das entidades mais conhecidas e populares da Umbanda. Segundo ele, foi a primeira entidade incorporada em sua trajetória espiritual, ainda quando tinha cerca de 18 anos.

Para o dirigente, a figura de Zé Pilintra é frequentemente associada de forma equivocada à malandragem em seu sentido negativo. Na tradição umbandista, entretanto, a entidade representa sabedoria, acolhimento e capacidade de compreender as dificuldades enfrentadas pelas pessoas. “Se a pessoa chega triste, ela sai alegre. Se chega desanimada, sai animada. Essa é a malandragem, o jogo de cintura que a entidade tem para lidar com as divergências da vida”, explicou.

Ao final da série, Gilman reforçou o convite para que a população conheça o terreiro e busque informações sobre a religião antes de formar opiniões baseadas em preconceitos.

Foto: Giovanna Victoria/DeFato

Informação como ferramenta de combate a intolerância

A série produzida pelo portal DeFato Online teve como objetivo ampliar o conhecimento sobre as religiões de matriz africana e contribuir para o combate à intolerância religiosa, problema que ainda afeta praticantes dessas tradições em diferentes regiões do país.

Ao apresentar histórias, fundamentos e experiências de quem vive a Umbanda diariamente, o conteúdo buscou mostrar uma religião pautada pelo acolhimento, pela espiritualidade e pelo respeito ao próximo.

Os três episódios estão disponíveis no canal do DeFato Online no YouTube: