Brasil é o único país do Mercosul afetado pelo veto da União Europeia à carne
A medida formalizada pela Comissão Europeia afeta categorias importantes para o comércio brasileiro, como carne bovina e carne de aves
A nova regulamentação da União Europeia (UE) sobre o uso de antimicrobianos na produção animal criou uma situação incomum dentro do Mercosul, com apenas o Brasil (dos quatro países que compõem o bloco com relevância nas exportações agropecuárias) ficando de fora da lista de nações habilitadas a atender as exigências sanitárias europeias.
A medida formalizada pela Comissão Europeia afeta categorias importantes para o comércio brasileiro, como carne bovina, carne de aves, carne de cavalo, pescado, mel e tripas animais.
Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem habilitados a exportar esses mesmos produtos para o bloco europeu.
O cenário coloca o Brasil em desvantagem frente aos seus concorrentes regionais em um mercado reconhecido pelo alto valor agregado desses produtos e pelas rigorosas exigências sanitárias, mesmo com a medida entrando em vigor a partir de setembro, preocupando o setor exportador.
Dados da Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mostram que a União Europeia importou 368,1 toneladas de produtos brasileiros abrangidos pela nova regulamentação ao longo de 2025, com vendas rendendo cerca de US$ 1,8 bilhão ao país.
Na sequência, a carne do frango mostra uma receita de US$ 762,9 milhões. Também fazem parte da pauta exportadora volumes menores de carne de peru, carne suína, carne de cavalo, carne ovina e de pato.
A UE figura entre os mais relevantes mercados para as proteínas animais brasileiras, tanto pelo faturamento que proporciona quanto pelo perfil dos produtos comercializados.
A decisão europeia é parte de uma política para reduzir o risco de resistência antimicrobiana, e pelo fato de o Brasil não ter apresentado informações consideradas suficientes para demonstrar que poderá cumprir integralmente, até o mês de setembro, as exigências relacionadas ao uso de determinados antimicrobianos na produção animal.
As regras do bloco europeu restringem o uso de substâncias críticas para a saúde humana e proíbem sua utilização para fins como promoção de crescimento ou aumento de produtividade dos animais.
Apesar da exclusão do Brasil de países autorizados a exportação da carne, autoridades do governo acreditam poder reverter a decisão do mercado europeu. O governo brasileiro avalia que ainda dispõe de alguns meses para apresentar informações complementares e negociar soluções com as autoridades europeias, mostrando que o país não utiliza antimicrobianos vetados pela legislação do bloco.
*Fontes: Metrópoles/O Presente Rural




