Veto à carne brasileira pela União Europeia traz impactos para JBS, Marfrig e Minerva

Analistas de mercado apontam que a diversificação geográfica e de portfólio determina o nível de exposição de cada frigorífico à restrição

Veto à carne brasileira pela União Europeia traz impactos para JBS, Marfrig e Minerva
Iniciativa da UE causa impacto em gigantes da exportação de carnes- Foto: Divulgação/ABIE/Via Agência Brasil

O impacto financeiro do veto da União Europeia (UE) às carnes brasileiras é considerado administrável  pelas grandes empresas do setor, gerando mais ruído de curto prazo no mercado acionário do que uma mudança estrutural nos negócios. A oficialização da medida, publicada no Diário Oficial da UE, retira o Brasil da lista de países autorizados a exportar proteínas animais a partir de 3 de setembro de 2026 devido a divergências regulatórias sobre o controle de antimicrobianos.

Embora o bloco europeu represente um mercado premium de alta rentabilidade por tonelada, o volume total exportado de origem brasileira tem um peso pequeno no faturamento consolidado das gigantes Minerva (BEEF3), JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3), além disso, o setor conta com uma janela de negociação diplomática e a possibilidade de redirecionar as cargas.

Analistas de mercado apontam que a diversificação geográfica e de portfólio determina o nível de exposição de cada frigorífico à restrição.

Minerva Foods: Exposição estimada  de cerca de 3,4% da receita bruta consolidada.

A Minerva possui uma ampla plataforma de produção espalhada pela América do Sul (Argentina, Uruguai, Paraguai e Colômbia). Como o veto da UE se aplica exclusivamente ao território brasileiro, a companhia pode absorver a demanda, realocando os abates e exportações para suas plantas nos países vizinhos, que continuam autorizados a vender para a Europa.

JBS: Exposição estimada de 1% da receita consolidada e altamente internacionalizada. O Brasil responde por apenas 12% de sua produção global. Metade do faturamento da empresa vem dos Estados Unidos, e possui operações robustas de produção física dentro da própria Europa, como a Moy Park e a Vivera.

Marfrig: a mais vulnerável, com exposição estimada em 2,5% da receita consolidada. Embora a operação Beef América do Norte passe ilesa, a Marfrig enfrenta maiores desafios no segmento frango. A BRF, controlada pela holding, possui alta concentração de produção de aves baseada no Brasil, sem plantas alternativas de aves fora do país para atender a Europa, tornando a realocação desse mix de produtos premium mais complexas e custosa.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e associações do setor, como Abiec e ABPA, argumentam que o problema é estritamente burocrático e documental sobre os sistemas de rastreabilidade, e não uma contaminação real do produto nacional e que o governo federal mantém conversas ativas para reversão da decisão antes do prazo final.

*Fonte: Inves Talk/Kinvo/Seu Dinheiro