Usina Conceição II passa a operar com inteligência artificial e automação em 100% das operações em Itabira

Equipamentos como motores, válvulas e sistemas mecânicos passaram a ser monitorados e controlados à distância a partir de salas de operação

Usina Conceição II passa a operar com inteligência artificial e automação em 100% das operações em Itabira
Foto: Vale/Reprodução
O conteúdo continua após o anúncio


A Vale apresentou nesta quarta-feira (10) a modernização da Usina Conceição II, em Itabira, a primeira unidade da mineradora a ter sua operação integrada com sistemas de inteligência artificial, automação e monitoramento digital. A iniciativa, denominada “Usina Modelo”, levou 18 meses para ser implementada, recebeu investimentos da ordem de R$200 milhões e já proporcionou um aumento de 25% na produtividade da planta – subindo a extração de 9 para 11,2 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. 

A implantação do projeto incluiu 51 iniciativas voltadas à revisão de processos operacionais, eliminação de gargalos produtivos e ampliação do monitoramento da usina. Entre as mudanças implementadas estão a instalação de mais de 100 câmeras de monitoramento, a automação de aproximadamente 7.300 instrumentos e a utilização de sistemas para acompanhamento de mais de 400 variáveis ligadas ao beneficiamento do minério. Segundo a empresa, os recursos permitem acompanhar o desempenho dos equipamentos e realizar ajustes operacionais em tempo real.

De acordo com a Vale, os sistemas utilizam inteligência artificial para analisar dados do processo produtivo e apoiar decisões relacionadas à operação da usina. A tecnologia também é empregada na identificação antecipada de falhas e na redução de paradas não programadas. 

A modernização incluiu ainda a ampliação de operações remotas. Equipamentos como motores, válvulas e sistemas mecânicos passaram a ser monitorados e controlados à distância a partir de salas de operação. A medida reduz a necessidade de intervenções presenciais em áreas industriais, e segundo a Vale, todos os 122 operadores, instrumentistas e líderes da Usina Conceição II foram capacitados para atuar no novo modelo, somando mais de 2.800 horas de treinamento. 

A expectativa é de que, até o fim do ano, o projeto seja expandido para a mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo. Futuramente, a mina de Vargem Grande, em Nova Lima, também deverá adotar o modelo. 

Usina Conceição II passa a operar com inteligência artificial e automação em 100% das operações em Itabira

Aumento da produtividade

Além do aumento de 25% na produtividade da planta, outro resultado apresentado pela mineradora foi o crescimento de 40% na participação do pellet feed para redução direta no mix de produtos da unidade. Esse tipo de minério possui maior teor de ferro e é utilizado por siderúrgicas que buscam reduzir emissões de carbono em seus processos produtivos. 

Segundo a Vale, a empresa passou a utilizar sistemas de análise online da qualidade do minério durante o beneficiamento. Tal tecnologia permite monitorar características do material em tempo real e realizar ajustes no processo conforme as condições observadas. De acordo com dados, o teor de ferro presente nos rejeitos gerados pela usina foi reduzido em 26% em 2026, indicando maior aproveitamento do minério extraído.

Na área ambiental, a Vale informou que 92% da água utilizada na Usina Conceição 2 é reaproveitada no próprio processo produtivo após passar pelas etapas de filtragem do minério e dos rejeitos. A implantação do projeto contou com a participação da empresa ABB, responsável pela integração de sistemas de automação, eletrificação e monitoramento utilizados na unidade.

Visita da imprensa

Durante a visita da DeFato à unidade, a Vale apresentou as principais etapas do beneficiamento do minério de ferro. O processo começa na britagem, onde rochas com até 1,5 metro são reduzidas gradativamente em quatro fases — britagem primária, secundária, terciária e quaternária — até atingirem cerca de 12 milímetros.

Em seguida, o material passa por processos de separação que removem sílica e outras impurezas. Forma-se então uma polpa mineral que segue para filtragem, etapa em que a água é separada do minério. Segundo a empresa, aproximadamente 92% da água utilizada retorna ao próprio processo produtivo, reduzindo a necessidade de captação de novos recursos hídricos.

Após a filtragem, o minério segue para os pátios de estocagem, onde equipamentos automatizados realizam o empilhamento do produto antes do envio aos silos de expedição ferroviária. Uma extensa rede de tubulações interliga toda a operação, transportando água, minério e rejeitos entre as diferentes etapas da produção.

Galeria de Fotos