Fim da escala 6×1 deve impulsionar contratação de trabalhadores pagos por hora

O fim do modelo 6×1 aumenta o custo da hora do trabalhador regular em cerca de 22%

Fim da escala 6×1 deve impulsionar contratação de trabalhadores pagos por hora
Pagamento de trabalhador por hora pode ser alternativa na área do transporte- Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Aprovada na Câmara dos Deputados, a PEC do fim da escala 6×1 reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais sem redução de salários.

Essa mudança estrutural força os setores de comércio e serviços a buscar o trabalho intermitente (pago por hora), alternativa para cobrir os novos dias de folga obrigatórios e evitar o apagão de mão de obra.

O texto-base foi aprovado na Câmara em dois turnos, por ampla maioria. Agora, a matéria segue para análise e votação definitiva no Senado Federal.

A transição vai ocorrer em duas fases. A jornada cai para 42 horas após 60 dias da promulgação, com o limite definitivo de 40 horas entrando em vigor após 14 meses.

Por que o trabalho intermitente vai disparar?

Empresas que operam sete dias por semana precisam preencher os dias descobertos pela nova folga dos funcionários fixos.

O fim do modelo 6×1 aumenta o custo da hora do trabalhador regular em cerca de 22%.

O modelo intermitente permite convocar o funcionário apenas para picos de movimento (como nos finais de semana).

O empregador paga estritamente pelas horas ou dias trabalhados, diluindo o impacto financeiro na folha.

Como funciona o contrato intermitente?

Remuneração: Valor da hora não pode ser inferior ao salário mínimo ou ao piso da categoria.

Vínculo Empregatício: Registro formal em carteira (CLT), mas com períodos de inatividade.

Convocação: A empresa deve acionar o trabalhador com pelo menos três dias de antecedência.

Direitos: Recebimento imediato de férias, 13º, FGTS proporcionais ao fim do período.

Setores mais impactados

Bares e restaurantes, historicamente dependentes do modelo 6×1 devem liderar a contratação de horistas.

Varejo e supermercados necessitam de contingente extra para manter as portas abertas aos sábados e domingos.

Hotéis e turismo demandam flexibilidade total para flutuações de ocupação e eventos.

Precarização do emprego:

Críticos alegam que a migração em massa para o regime intermitente pode gerar instabilidade financeira e imprevisibilidade de renda para o trabalhador.

Entidades como a Fecomercio apontam pressão inflacionária. Os custos operacionais elevados tendem a ser repassados aos preços finais do produto e serviços.

*Fonte: Portal Câmara dos Deputados/A Gazeta