Câmara de Itabira homenageia Dona Tita com minuto de silêncio e moção de pesar durante reunião em Senhora do Carmo
Matriarca do Quilombo Morro Santo Antônio construiu uma história marcada pela resistência, pela fé e pela preservação das tradições de seu povo

A Câmara Municipal de Itabira prestou homenagem a Maria Gregória Ventura, a Dona Tita, durante a reunião ordinária realizada nesta segunda-feira (22) no distrito de Senhora do Carmo. Os vereadores dedicaram um minuto de silêncio à matriarca do Quilombo Morro Santo Antônio, falecida nesta segunda-feira, aos 102 anos.
Além da homenagem no plenário, o vereador Júlio César de Araújo, o Júlio Contador, apresentou uma moção de pesar em reconhecimento à trajetória de Dona Tita e à sua contribuição para a preservação da cultura e da memória quilombola em Itabira.
A notícia da morte de Dona Tita foi divulgada durante a madrugada em um perfil dedicado à sua trajetória e confirmada por seu sobrinho, Vinícios Souza. As informações sobre o velório e a despedida serão divulgadas posteriormente pela família.
Nascida em 1924 no Quilombo Morro Santo Antônio, Dona Tita construiu uma história marcada pela resistência, pela fé e pela preservação das tradições de seu povo. Ao longo de mais de um século de vida, tornou-se uma das principais referências da comunidade quilombola e um símbolo de ancestralidade para Itabira.
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Sua trajetória foi marcada por desafios desde a infância. Ainda criança, enfrentou perdas familiares e dificuldades, mas encontrou na comunidade e nos laços familiares a força para seguir em frente. Trabalhou na agricultura, participou ativamente da vida coletiva do quilombo e manteve viva a memória de seus antepassados.
Em 1947, mudou-se para Belo Horizonte, onde trabalhou como empregada doméstica. Na capital mineira, enfrentou novos desafios, mas manteve a determinação que marcou sua vida. Anos depois, retornou ao Quilombo Morro Santo Antônio, retomando sua participação nas celebrações, encontros e atividades que fortaleciam a identidade cultural da comunidade.
Nos últimos anos, Dona Tita recebeu diversas homenagens em reconhecimento à sua história. Em 2024, quando completou 100 anos, foi celebrada pelo Festival Literário Internacional de Itabira (Flitabira), que lançou o documentário “Tita: 100 anos de luta e fé”, dirigido por Danilo Candombe. A produção registrou sua trajetória e destacou sua importância para a preservação da cultura quilombola.
Sua história também inspirou o Prêmio de Redação e Desenho do Flitabira, que incentivou estudantes da rede municipal a produzirem trabalhos baseados em mulheres negras que marcaram a história de Itabira. Além disso, Dona Tita recebeu homenagens da Polícia Civil de Minas Gerais e teve sua trajetória registrada em diferentes iniciativas voltadas à preservação da memória local.




