Santa Ruth, Ribeira de Cima e Fênix são os bairros que mais sofrem com o desabastecimento de água em Itabira
Levantamento do Saae aponta que interrupções nos sistemas abastecidos pela água importada da Vale acumularam 465 horas de paralisação entre janeiro e abril, o equivalente a 19 dias e 9 horas de operação comprometida
Os bairros Santa Ruth, Ribeira de Cima e Fênix foram os três principais locais que mais sofreram com a falta de água em Itabira quando ocorreram interrupções no fornecimento de água importada da Vale, nos primeiros quatro meses de 2026. A informação foi apresentada pelo diretor-presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Valdeci Luiz Fernandes Júnior, durante a prestação de contas da autarquia referente ao primeiro quadrimestre do ano.
Segundo o presidente do Saae, a região é a mais vulnerável às oscilações provocadas por manutenções programadas realizadas pela mineradora em seus sistemas de captação e distribuição. Completam a lista dos bairros mais afetados: Praia, Colina da Praia, Monsenhor José Lopes, Conceição, Santa Marta, Pedras do Vale, Jardim Belvedere, Abóboras e Bálsamos.
Analisando uma tabela apresentada por Valdeci Fernandes, foi constatado que as principais interrupções registradas nos sistemas que recebem água importada da Vale somaram 465 horas de paralisação entre janeiro e abril deste ano. O volume equivale a 19 dias e 9 horas de sistemas fora de operação. Os dados apresentados pelo Saae mostram que as maiores ocorrências envolveram:
- ETA Areão – Poço 02: 161 horas de paralisação;
- ETA Rio de Peixe: 133 horas;
- Anel Hidráulico (Chacrinha e Cauê): 100 horas;
- ETA Rio de Peixe (outra ocorrência): 71 horas.
Entre as causas apontadas estão manutenções programadas, falta de vazão, redução da produção de água e interrupções no fornecimento de energia. Apesar de destacar que a Vale cumpriu e até superou a vazão contratada no período, com média de 181 litros por segundo, acima dos 160 litros por segundo previstos, Valdeci explicou que as paralisações temporárias afetam diretamente o abastecimento em diversos bairros. “Toda vez que tem essa manutenção programada, nosso call center sofre muito com as ligações por falta d’água”, afirmou.
De acordo com Valdeci, o problema é agravado pelo tempo necessário para a normalização do sistema após a retomada da operação.
“A retomada desse abastecimento é gradativa. Não é só ligar a bomba que a água chega imediatamente à casa das pessoas. Quem mora nas partes mais altas demora mais para receber água novamente”, explicou.

Em tempo: Nos quatro primeiros meses do ano, o Saae registrou 8.068 atendimentos por meio do call center, onde a principal reclamação foi justamente a falta de água. Segundo Valdeci Fernandes, foram contabilizadas 2.690 ocorrências relacionadas ao desabastecimento, número equivalente ao de serviços executados para manutenção de redes de água.
O diretor-presidente do Saae também informou que precisou disponibilizar 182 caminhões-pipa para atender moradores afetados pelas interrupções. Além disso, foram realizadas 1.487 ligações, religações e desmembramentos de ramais de água no período.
Na área de esgotamento sanitário, a autarquia registrou 1.979 ordens de serviço, incluindo desentupimentos, vazamentos e manutenção de redes coletoras.




