Valério tropeça para o lanterna Ipatinga e empate tem gosto amargo no Israel Pinheiro

No futebol, nem todo empate vale um ponto. Alguns custam dois. E foi exatamente essa a sensação deixada pelo Valério na noite de ontem

Valério tropeça para o lanterna Ipatinga e empate tem gosto amargo no Israel Pinheiro
Foto: Mateus Sousa // @ms_fotogr4fia

Invicto na competição, embalado pela vitória sobre o mesmo adversário na rodada anterior e enfrentando o lanterna do grupo, o Valério tinha diante de si uma oportunidade importante para seguir firme na briga pelas primeiras posições do Módulo II. Mas o futebol, como tantas vezes acontece, resolveu escrever uma história diferente. Nesta terça-feira (22), o Dragão ficou no empate por 1 a 1 com o Ipatinga e deixou o gramado com a sensação de que perdeu dois pontos. O resultado levou o Valério aos 10 pontos na tabela, enquanto o Tigre do Vale do Aço chegou a -5, ainda carregando a punição aplicada pela Fifa que retirou seis pontos da equipe.

O time itabirano entrou em campo desfalcado. O lateral Ramon e o atacante Marcílio ficaram de fora após se lesionarem na vitória por 1 a 0 sobre o próprio Ipatinga, no último fim de semana. Já o meia Renan Oliveira e o centroavante João Cabral seguem em fase final de transição física. Mesmo assim, o Valério começou tentando tomar a iniciativa. Logo aos dois minutos, Dionatan Machado cobrou falta de pé esquerdo e assustou ao acertar a rede pelo lado de fora. Pouco depois, participou de boa trama ofensiva que terminou em finalização desviada. Aos nove minutos, Índio apareceu pela esquerda e cruzou rasteiro, mas ninguém conseguiu completar.

Apesar das chegadas, o Dragão encontrava dificuldades para transformar volume de jogo em domínio efetivo. Igor Bádio brigava com os zagueiros e tentava servir os companheiros, enquanto Querubino aparecia bastante na construção, mas longe da área adversária. Do outro lado, o jovem meio-campo do Ipatinga apostava em velocidade e bolas esticadas, sempre neutralizadas pela defesa valeriana.

A partida ganhou intensidade a partir dos 17 minutos, quando o Ipatinga criou três boas oportunidades em sequência após cobranças de escanteio. O susto, porém, foi rapidamente substituído pela comemoração da torcida itabirana. Aos 20 minutos, Dionatan recuperou a posse de bola e encontrou Igor Bádio em velocidade. O camisa 9 avançou livre e bateu de canhota para abrir o placar e fazer o seu primeiro gol desde o retorno ao Dragão.

Foto: Mateus Sousa // @ms_fotogr4fia

O problema é que a vantagem durou pouco. Poucos minutos depois, Robertinho sofreu falta na entrada da área. Josimar cobrou com força, a barreira abriu espaço e a bola ainda escapou das mãos do goleiro antes de entrar. Tudo igual novamente. O gol devolveu confiança ao Ipatinga e aumentou a pressão sobre o Valério. Ainda assim, os donos da casa terminaram a primeira etapa mais próximos do segundo gol. Aos 37 minutos, Fumaça finalizou de primeira após cruzamento de Querubino, mas Quinzel fez grande defesa. Dois minutos depois, o goleiro voltou a aparecer bem para impedir a chegada de Igor Bádio. Caio Dias também teve oportunidade, mas mandou para fora.

Se o primeiro tempo foi movimentado, o segundo começou dando a impressão de que o Valério encontraria o caminho da vitória. Logo nos primeiros minutos, Carlos Alexandre cabeceou com perigo após escanteio cobrado por Dionatan. Mas foi apenas um lampejo. Com o passar do tempo, o ritmo caiu. O Ipatinga demonstrava desgaste físico, enquanto o Valério mantinha mais posse de bola, porém sem conseguir transformar a superioridade em chances claras. A situação ficou ainda mais complicada quando Dionatan, principal articulador da equipe, sentiu lesão e precisou ser substituído aos 15 minutos. 

Mesmo diante de um adversário cansado, o Dragão passou a atacar de forma desorganizada. Cruzamentos sem direção, decisões precipitadas e pouca criatividade marcaram a reta final da partida. Ao mesmo tempo, os visitantes encontravam espaços para contra-atacar e chegaram a assustar em algumas ocasiões. Querubino, um dos destaques defensivos da equipe, precisou interromper duas jogadas perigosas antes de também deixar o gramado lesionado. Na saída, reclamava de dores após prender o tornozelo no gramado.

A melhor oportunidade do Valério veio aos 35 minutos. Após cobrança de escanteio, Guilherme Teixeira cabeceou firme no primeiro poste. Quinzel fez uma defesa espetacular e ainda contou com a ajuda da trave para evitar o gol. A pressão aumentava, a arquibancada cobrava, o banco reclamava da arbitragem e das constantes paralisações do goleiro adversário. Faltava apenas a bola entrar – e ela esteve muito perto disso.

Foto: Mateus Sousa // @ms_fotogr4fia

Aos 44 minutos, Marcinho cruzou da esquerda, a bola atravessou toda a área e encontrou Fumaça completamente livre. Era a chance perfeita. O camisa 11 bateu de primeira, mas mandou por cima do travessão, arrancando um misto de incredulidade e frustração das arquibancadas. Os sete minutos de acréscimos não mudaram o roteiro. O Valério seguiu pressionando, acumulou escanteios e levantamentos para a área, mas esbarrou na própria falta de precisão.

Quando a árbitra encerrou a partida, o sentimento era claro. O empate manteve a invencibilidade valeriana, mas teve sabor de derrota. Contra o lanterna da competição, diante de sua torcida e com mais volume de jogo durante boa parte dos 90 minutos, o Dragão deixou escapar uma vitória que parecia ao seu alcance. 

No futebol, nem todo empate vale um ponto. Alguns custam dois. E foi exatamente essa a sensação deixada pelo Valério no Israel Pinheiro.