Réu confessa no júri que matou mulher e ocultou corpo em cisterna
Gilmar Calmos afirmou aos jurados que matou Magna Laurinda Ferreira Pimentel e ocultou o corpo, mas negou participação da mãe e das irmãs no crime
Gilmar Pereira Calmos confessou, nesta terça-feira (30), durante julgamento no Tribunal do Júri de Belo Horizonte, que matou Magna Laurinda Ferreira Pimentel e ocultou o corpo da vítima em uma cisterna. A sessão foi suspensa para o almoço antes da fase de debates entre Ministério Público e defesa.
Magna Laurinda Ferreira Pimentel foi morta em agosto de 2024, no bairro Candelária, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte. Gilmar Pereira Calmos responde por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O julgamento dele foi desmembrado em relação aos demais acusados.
Além de Gilmar, foram denunciadas Marluce Pereira dos Santos, mãe dele, e as irmãs Paloma Pereira de Jesus e Paola Pereira de Jesus. De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais, Marluce seria a mandante do crime, enquanto Paloma e Paola teriam atraído a vítima ao imóvel sob o pretexto de devolver dinheiro.
Durante o interrogatório, Gilmar Pereira Calmos optou por responder apenas às perguntas da defesa e dos jurados. Ele afirmou que tem devoção pela mãe, disse que ela exerceu papel de mãe e pai em sua vida e negou que Marluce Pereira dos Santos e as irmãs tenham participado da morte de Magna.
Segundo a versão apresentada pelo réu em plenário, ele trabalhava em uma reforma nos fundos do lote onde a família morava no dia do crime. Gilmar disse que, ao fazer uma pausa para o café da tarde, viu Magna discutindo com a mãe dele e tentou intervir.
O réu afirmou que a vítima teria iniciado uma agressão durante a discussão. Segundo ele, a reação ocorreu em um momento de medo e emoção. Gilmar negou que o crime tenha sido premeditado e afirmou que não agiu por raiva.
Após a morte, Gilmar Pereira Calmos disse que pensou em se entregar, mas teve medo de ficar longe da família. Ele afirmou que decidiu colocar o corpo de Magna Laurinda Ferreira Pimentel em uma cisterna e cobrir a estrutura com cimento.
A denúncia do Ministério Público apresenta outra versão para o caso. Segundo a acusação, a morte teria sido planejada depois que Magna descobriu um empréstimo de alto valor feito sem autorização em nome do pai dela, Valter Holegário Pimentel.
Ainda conforme o Ministério Público, o dinheiro teria sido desviado em benefício de Marluce Pereira dos Santos e dos filhos dela. A acusação sustenta que Magna cobrou a devolução dos valores e ameaçou procurar a polícia caso a situação não fosse resolvida.
Gilmar Pereira Calmos negou, durante o julgamento, que soubesse de empréstimos, dívidas ou movimentações financeiras envolvendo a mãe e as irmãs. Ele afirmou que, se tivesse conhecimento da situação, teria se oferecido para pagar o valor.
A Justiça já havia pronunciado mãe e filhos para julgamento pelo Tribunal do Júri. Na decisão, o juiz Roberto Oliveira Araújo Silva entendeu que havia materialidade e indícios suficientes de autoria para que o caso fosse analisado pelo Conselho de Sentença.
Marluce Pereira dos Santos e Gilmar Pereira Calmos tiveram a prisão preventiva mantida ao longo da tramitação. Paloma Pereira de Jesus e Paola Pereira de Jesus tiveram a prisão revogada e passaram a responder ao processo em liberdade, mediante medidas cautelares.




