Daniel Vorcaro é o mais caridoso dos cristãos
O ex-banqueiro produziu o magnífico milagre da multiplicação da grana

Para começo de conversa, vamos combinar o seguinte: Jesus não é o inventor do Cristianismo. Cristo não fundou doutrinas. O Cristianismo é obra-prima de Saulo de Tarso– um romano de nascimento e judeu de coração, como diria o “Véio” político itabirano. Já o catolicismo é elaboração pragmática do pescador Simão, o Pedro. O movimento religioso se consolidou com o imperador Constantino. O autocrata de Roma converteu-se e transformou a Católica em religião oficial do Império, no ano 380 d.c. O “influenciador” da Galileia jamais construiu igrejas físicas. O seu templo sempre foi o planeta. Céu, astros, florestas, animais, rios, mares e montanhas ilustravam o cenário de suas pregações e preces. Cristo, provavelmente, foi a inspiração maior do “Deus” de Baruch Espinosa.
O verdadeiro Messias, na certa, não apoiaria as ações de alguns dos atuais porta-vozes do “Pai Nosso” – uma gente medíocre de tão mercenária ou mercenária de tão medíocre. A maioria das religiões não passa de ferramenta de submissão e opressão. Não tenham dívidas. Caso reaparecesse, hoje, aqui no Brasil, o nazareno seria tachado de vagabundo, agitador, imundo, bêbado e drogado. Viveria em condição de rua. Enfim, mais uma vítima da necropolítica. O “Filho do Homem” revelou dois consistentes caminhos para a salvação da humanidade: amor e fraternidade. Apenas isto.
Nos novos tempos, Daniel Vorcaro se apresenta como o mais autêntico seguidor dos “ensinamentos” de Cristo. O ex-banqueiro produziu o magnífico milagre da multiplicação da grana. A imensa fé do “santo” da Lagoinha fez tostõe$ virar Bilhõe$. “Dá e não olha a quem”. O conselho do mestre dos mestres foi seguido integralmente por Vorcaro. Desta forma, dinheiro brotou em profusão dos inesgotáveis mananciais de corrupção do sistema financeiro nacional. Claro. O Daniel belo-horizontino, que de profeta é apenas xará, seguiu cabalmente os ensinamentos do “rei dos reis”.
O mineirinho come quieto- um ser extremamente caridoso- jamais foi seletivo em suas beneficências. Ajudou sem distinção. A sua imensa fortuna forrou ávidos bolsos de personagens da direita, centro, esquerda e Centrão. Todos os segmentos ideológicos se envolveram na profana farra monetária. Progressistas e conservadores se empanturraram de sórdidas moedas. “Faça o bem e não olhe a quem”. O aforismo de inspiração bíblica foi rigorosamente cumprido.
A mamata “sagrada” invadiu o terreiro do “confiável” Ciro Nogueira e prosperou no quintal do “dileto amigo” Jaques Wagner. Mas, veja bem. As consequências da orgia monetária não têm dia certo para acabar. A homilia vorcariana encontra-se apenas em seu instante inicial. “Olhai os lírios (e aves) do campo”, recomendou Cristo em seu maravilhoso Sermão da Montanha. Observe bem a metáfora. Pássaros graúdos voam em direção à arapuca da Polícia Federal. O viciado firmamento do país tropical anda repleto de malcheirosos “bichos” alados do Executivo, Legislativo e Judiciário. E vêm mais “passaralhos” por aí. O sobrevoo dos larápios não conhece a finitude. Mesmo porque, o coração de Daniel Vorcaro era incomensurável.
Contudo, existe imensa pedra no meio do caminho deste escândalo generalizado. André Mendonça- o magistrado “terrivelmente evangélico”- entendeu o exato sentido da pregação do beato Daniel Vorcaro. Aleluia, irmão!
Sobre o colunista
Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.




