Duas em cada três pessoas com Alzheimer são mulheres; sintomas podem começar aos 45 anos

Pesquisadores afirmam que o Alzheimer pode começar a se desenvolver décadas antes dos primeiros sintomas

Duas em cada três pessoas com Alzheimer são mulheres; sintomas podem começar aos 45 anos
Os primeiros sinomas de alzheimer podem se manifestar em mulheres de 45 anos- Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Durante muito tempo o Alzheimer foi associado apenas ao envelhecimento, mas estudos investigam como as oscilações hormonais durante a perimenopausa e a menopausa afetam o cérebro feminino.

Pesquisadores afirmam que o Alzheimer pode começar a se desenvolver décadas antes dos primeiros sintomas.

Reportagem do Fantástico, noticiário dominical da Globo, perguntou a mulheres sobre a doença, que hoje faz parte da vida de Maria Edileusa da Silva e família, que teve sua rotina completamente alterada para dedicar cuidados à mãe, portadora desse mal.

A reportagem encontrou histórias semelhantes em outras família.

Há quem tenha convivido com a doença da mãe, da tia, da patroa ou de vizinhos e até trabalhe diariamente com pacientes diagnosticados com Alzheimer.

Essas histórias levaram a neurocientista italiana Lisa Mosconi a se aprofundar no tema. Sua avó teve Alzheimer, e das quatro irmãs da família, três desenvolveram a doença, enquanto o único homem não foi diagnosticado, o que levou Lisa a concentrar as pesquisas no efeito Alzheimer sobre o cérebro feminino.

Em uma universidade dos Estados Unidos, ela lidera um estudo de três anos sobre a saúde cognitiva das mulheres e, segundo ela, os resultados obtidos já no primeiro ano apontam descobertas importantes, indicando que em cada três pessoas com Alzheimer, duas desenvolvem a doença.

“Essa diferença não pode ser explicada apenas pelo fato de as mulheres viverem mais que os homens”.

As pesquisas levaram à conclusão que as oscilações hormonais que ocorrem durante a perimenopausa, fase que antecede a menopausa, e a menopausa, também desempenham um papel importante.

Lisa explica que o hormônio exerce diversas funções importantes para o cérebro feminino, e o estrogênio contribui para os níveis de energia, melhora o fluxo de sangue para o cérebro, tem ação antioxidante e anti-inflamatória, participando do funcionamento dos neurônios.

“Quando seu níveis diminuem, o cérebro deixa de contar com essa proteção. O cérebro passa a perder um hormônio importante. O Alzheimer não é uma doença da velhice. Ele começa na metade da vida, podendo ter início de forma silenciosa por volta dos 50 anos ou até antes, a partir dos 45”.

O neurocientista brasileiro Mychael Lourenço explica que já existem exames capazes de identificar alterações iniciais relacionadas à doença; marcadores presentes no sangue conseguem indicar sinais precoces do Alzheimer.

Esse exames já foram aprovados nos Estados Unidos e poderão chegar ao Brasil nos próximos anos. “Vai ser um avanço importante”.

No entanto, Mychael ressalta que é importante diferenciar os esquecimentos ocasionais de um quadro neurodegenerativo.

O principal sinal de alerta é quando a perda de memória interfere na rotina e apresenta piora progressiva ao longo do tempo.

“É importante saber diferenciar um esquecimento temporário, que pode ser recuperado depois, de um quadro neurodegenerativo”.

Lisa Mosconi afirma que reduzir o risco de Alzheimer passa por uma combinação de cuidados com a saúde, como a reposição hormonal para mulheres sem contraindicações, atividade física regular, alimentação saudável, redução do consumo de alimentos ultraprocessados, controle do estresse, boa qualidade do sono, evitar o cigarro e reduzir o consumo do álcool.

“Níveis elevados de cortisol, hormônio relacionado ao estresse, podem prejudicar o humor e a memória”.

O Fantástico também ouviu mulheres que já adotam hábitos como atividade física, alimentação equilibrada e exercícios para manter o cérebro ativo, como a artista plástica Maria do Socorro Leal, de 90 anos, que segue trabalhando e acredita que cuidar da saúde é fundamental.

Para ela, “é importante saber que a ajuda está no caminho”.

*Fonte: G1