EUA anunciam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

As tarifas serão aplicadas a milhares de produtos brasileiros, desde o açúcar, maquinário agrícola, vestuário, maquinário elétrico, papel e aço

EUA anunciam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
O governo Trump anunciou que a nova tarifaçã entrará em vigor na próxima quarta-feira(22)- Foto: Divulgação/Governo USA

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (15) a adoção de uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil vigorando a partir de 22 de julho, segundo informações do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR), sendo a primeira medida no âmbito da nova estratégia tarifária do governo Trump, que pode vir a afetar outros países.

A tarifa é o resultado de investigações sobre práticas comerciais desleais nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

A USTR abriu ao menos 80 investigações comerciais, e uma nova onda de tarifas poderá ser imposta a dezenas de países, como a China, a União Europeia, a Índia, o Japão, a Coreia do Sul e o México.

O anúncio desta quarta-feira segue uma proposta do governo Trump em junho para a implementação da tarifa de 25% sobre muitas importações do Brasil, após seu governo decidir que as práticas  do país eram desleais em uma série de questões, partindo do comércio digital ao desmatamento ilegal.

Em comunicado, o representante comercial norte-americano, Jamieson Grerr, afirma: “As extensas negociações com o Brasil ao longo do último ano nao resolveram essas questões, mas continuamos abertos  a prosseguir as negociações com o Brasil para promover as mudanças há muito necessárias em relação aos problemas identificados nesta investigação”.

O presidente Luiz Inácio lula da Silva (PT) afirmou que a decisão dos norte-americanos não tinha qualquer justificativa.

Em sua postagem no X, o presidente acrescentou: “O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os intrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unânimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio”.

Fontes do governo brasileiro afirma que houve mais de 30 contatos, presenciais, virtuais ou por telefone, desde o anúncio do tarifaço original, nos níveis presidencial, ministerial e técnico e que, somente com Grerr e Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, foram 11 contatos.

Lula acusou Marco Rubio de ser anti-América Latina quando as tarifas foram propostas em junho. Rubio, por seu lado, disse que Lula e seu governo não negociaram com os EUA de “boa-fé”.

Ao longo do último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de um acordo em prol do bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso“, disse Rubio em postagem no X.

As tarifas serão aplicacadas a milhares de produtos brasileiros, desde o açúcar, maquinário agrícola, vestuário, maquinário elétrico, papel e aço.

Os EUA prometeram isenção a todos os produtos propostos no aviso de junho, excetuando alguns itens como polpa de dissolução de alta pureza e aplicações não farmacêuticas de certos produtos.

As isenções incluem carne bovina, café, terras raras, produtos energéticos, aeronaves e peças de aeronaves, além de mel orgânico, ferro gusa, café instantâneo sem sabor e alguns outros produtos.

A investigação contra o Brasil, iniciada em julho de 2025, mencionou várias supostas práticas desleais, que vão desde desmatamento ilegal e o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, o Pix,, que, segundo o governo Trump, prejudica os cartões de crédito de bandeira americana.

O Brasil rejeitou com veemência as alegações.

O Brasil também foi incluído em uma investigação separada da Seção 301 conduzida pelo USTR, com conclusão prevista para 24 de julho, sobre ligações com o trabalho forçado nas cadeias de suprimentos de dezenas de países, numa investigação que poderia resultar em uma tarifa adicional de 12,5%, elevando a carga tributária total para os produtos brasileiros a 37,5%.

Os Estados Unidos ameaçaram o Brasil com mais consequências caso o país reaja com reciprocidade à decisão das tarifas sobre os produtos brasileiros.

“Ações do Brasil que aumentem o ônus ou a restrição ao comércio dos EUA, como aumento de tarifas sobre produtos dos Estados Unidos, em vez de abordar as preocupações dos EUA com as práticas desleais constatadas na investigação, podem indicar que a ação dos EUA neste nível não é suficiente para obter a eliminação dos atos, políticas e práticas do Brasil”.

*Fonte: UOL/Metrópoles