Laudo toxicológico confirma presença de ecstasy e anfetamina em capitã da PM encontrada morta em BH
Resultado do Instituto Médico Legal passa a integrar as provas da investigação sobre a morte da policial militar Michele Leão Azevedo

A investigação sobre a morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michele Leão Azevedo ganhou um novo elemento pericial. Um laudo de triagem toxicológica elaborado pelo Instituto Médico Legal (IML) confirmou a presença de substâncias associadas ao ecstasy e às anfetaminas no organismo da policial, encontrada morta no dia 20 de julho, em Belo Horizonte.
O exame identificou metilenodioximetanfetamina (MDMA), principal componente do ecstasy, além de metilenodioxianfetamina (MDA) e anfetamina. A análise foi iniciada três dias após a morte da capitã e passa a integrar o conjunto de provas reunidas pela Polícia Civil durante o inquérito.
Apesar da constatação das substâncias, o resultado do exame, por si só, não esclarece a causa da morte da policial. A Polícia Civil continua reunindo laudos periciais e depoimentos para reconstruir a dinâmica dos fatos.
Suspeito permanece preso
Michele Leão Azevedo, de 41 anos, foi levada já sem vida ao Hospital Odilon Behrens pelo então marido, o 3º sargento da PM Eduardo Abner Pereira de Oliveira. Inicialmente, ele afirmou que a esposa teria sofrido uma queda da escada da residência do casal após ambos consumirem bebidas alcoólicas e entorpecentes durante uma confraternização.
No entanto, a versão passou a ser questionada após a equipe médica identificar múltiplas lesões e sinais de traumatismo considerados incompatíveis com um acidente doméstico. Diante dos indícios levantados durante a ocorrência, o militar foi preso em flagrante por suspeita de feminicídio. Posteriormente, a prisão foi convertida em preventiva.
Em depoimento, o sargento declarou que ele e a esposa haviam consumido bebidas alcoólicas e ecstasy e sustentou que os ferimentos teriam ocorrido durante práticas sexuais consensuais e, posteriormente, em razão da queda. Essa versão continua sendo analisada pela investigação.
Imagens e perícias reforçam investigação
Entre os elementos reunidos pela Polícia Civil estão imagens de câmeras de segurança do prédio onde o casal morava. Os vídeos mostram o momento em que Eduardo Abner deixa o apartamento carregando Michele desacordada. As gravações também registram que ele leva cerca de quatro minutos para colocá-la dentro do veículo antes de seguir para o hospital. O automóvel utilizado foi apreendido.
Outro fato investigado é a localização de comprimidos de ecstasy no Hospital Odilon Behrens. Segundo a apuração, o material teria sido descartado pelo militar e acabou apreendido para integrar o inquérito.
Familiares relataram relacionamento conturbado
Durante os depoimentos prestados à Polícia Civil, a mãe e a irmã da capitã descreveram o relacionamento do casal como marcado por episódios de controle psicológico, separações e reconciliações ao longo de aproximadamente oito anos.
Segundo os relatos, Michele pretendia encerrar o relacionamento e teria sofrido humilhações frequentes. A família também informou que, em uma das discussões, o sargento teria chegado a empunhar uma faca.
Com a conclusão da triagem toxicológica, a Polícia Civil prossegue com a análise dos demais exames periciais, incluindo o laudo necroscópico, além do cruzamento das provas técnicas e dos depoimentos para esclarecer as circunstâncias da morte da oficial e concluir o inquérito.