Vereadores defendem fortalecimento dos PSFs para desafogar atendimentos no Pronto-Socorro de Itabira

Segundo Marquinhos da Saúde (Solidariedade), o Pronto-Socorro realiza cerca de 7 mil atendimentos por mês, sendo que até 70% são casos de baixa complexidade que poderiam ser resolvidos na atenção básica

Vereadores defendem fortalecimento dos PSFs para desafogar atendimentos no Pronto-Socorro de Itabira
Foto: Guilherme Guerra/DeFato

A discussão sobre a gestão do Pronto-Socorro Municipal de Itabira entrou na pauta da Câmara Municipal nesta terça-feira (3). Durante a palavra aberta da reunião ordinária, os vereadores Bernardo Rosa (PSB) e Marcos Ferreira da Silva, o Marquinhos da Saúde (Solidariedade), comentaram a repercussão do tema e defenderam o fortalecimento da atenção básica como uma das principais medidas para reduzir a superlotação da unidade de urgência.

O assunto ganhou destaque na última semana após declarações do vice-prefeito Marco Antônio Gomes sobre a gestão do Pronto-Socorro Municipal. Em seguida, a Prefeitura de Itabira anunciou a contratação de uma auditoria externa para analisar o contrato de gestão da unidade, com o objetivo de reforçar a transparência. Posteriormente, o Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), responsável pela administração do Pronto-Socorro, divulgou uma nota oficial em que apresentou sua versão sobre o funcionamento do serviço, esclareceu pontos relacionados ao contrato e informou que grande parte dos atendimentos realizados é de casos de baixa complexidade – o que contribui para a superlotação da unidade.

Foi justamente esse último ponto que motivou as manifestações dos parlamentares. Ao comentar a nota divulgada pelo HNSD, Bernardo Rosa pediu que o Município amplie a orientação à população sobre o funcionamento da rede pública de saúde.

Segundo o vereador, muitos pacientes procuram diretamente o Pronto-Socorro Municipal em situações que poderiam ser resolvidas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nos Programas Saúde da Família (PSFs). Bernardo Rosa defendeu que o município invista tanto na conscientização da população quanto no fortalecimento da atenção básica para que os PSFs consigam absorver essa demanda.

“Acho que tem que partir da Secretaria de Saúde uma informação maior e mais esclarecedora para a população e, obviamente, operacionalizar mais os PSFs para que a população realmente vá para o PSF e não vá para o Pronto-Socorro, para que não ocorra superlotação. E aquele caso realmente de urgência seja atendido no Pronto-Socorro, que é a finalidade da porta de entrada do hospital”, disse. 

Bernardo Rosa também elogiou a iniciativa do Hospital Nossa Senhora das Dores em divulgar uma nota pública sobre o assunto e também chamou atenção para a importância do Hospital Municipal Carlos Chagas, unidade 100% SUS, defendendo que o hospital também seja contemplado com maior destinação de recursos.

“Existe um hospital 100% SUS, que é o Carlos Chagas, que pouco recebe emendas. A gente pode priorizar também o Hospital Carlos Chagas nesse sentido”.

Na sequência, Marquinhos da Saúde reforçou as informações apresentadas por Bernardo Rosa e citou dados do Pronto-Socorro Municipal. Segundo o vereador, que já integrou a Comissão de Acompanhamento e Controle (CAC) do Hospital Nossa Senhora das Dores, a unidade registra aproximadamente 7 mil atendimentos por mês. Desse total, entre 60% e 70% são classificados como verde e azul no protocolo de classificação de risco, ou seja, casos de menor gravidade.

Na avaliação do parlamentar, esses pacientes poderiam ser atendidos pelas unidades básicas de saúde. “Isso significa que realmente são casos que as unidades de saúde tinham que resolver. Infelizmente, por várias questões, não resolvem”.  Marquinhos afirmou que, diante da necessidade de atendimento, muitos moradores acabam recorrendo ao Pronto-Socorro Municipal.

“O cidadão vai para onde? Ele está precisando de atendimento, ele vai no Pronto-Socorro. Espera lá duas, três horas, mas é atendido, faz os exames e sai de lá, no mínimo, com o diagnóstico”, disse. 

Para o vereador, a situação demonstra a necessidade de fortalecer a atenção primária, ao mesmo tempo em que evidencia o trabalho realizado pelas equipes da unidade de urgência.