De notas em notas, futebol brasileiro se agarra ao lugar do qual nunca parece querer sair

Se hoje conseguimos atrair grandes técnicos e jogadores, certas posturas ultrapassadas ainda nos mantém distantes da elite

De notas em notas, futebol brasileiro se agarra ao lugar do qual nunca parece querer sair
Foto: GIlvan de Souza/Flamengo

O Brasil já fez parte da elite do futebol mundial. Costumávamos bater de frente com as principais potências europeias e proteger nossos craques do Super-Euro. Contudo, diversos fatores — o principal deles a Lei Bosman, criada em 1995 — alteraram totalmente este cenário.

O resultado: uma enorme disparidade entre o futebol brasileiro (e sul-americano, no geral) e a Europa nos tornou coadjuvantes. Porém, acontecimentos recentes reacenderam a esperança de que essa distância fosse, pelo menos, encurtada.

A aula tática dada por Jorge Jesus aos técnicos brasileiros em 2019, a implementação das SAFs (não entenda como uma celebração, apenas uma constatação) e a consequente chegada de grandes jogadores nos elevaram a um novo patamar.

E isso fica claro em jogos recentes disputados contra gigantes europeus. Flamengo, Fluminense, Palmeiras, Botafogo e outros times deram muito trabalho a equipes como Liverpool, Chelsea, Inter de Milão e o poderoso PSG. O momento é propício para um novo salto. Ou era.

Toda essa evolução dentro e fora de campo é eclipsada por posturas mesquinhas que só atrasam nosso futebol. Nos últimos dias, por exemplo, foi criada uma disputa patética de notas oficiais envolvendo a arbitragem.

O principal embate veio de quem mais se espera algo diferente. Clubes mais ricos do país, Palmeiras e Flamengo foram às redes sociais protestar. Enquanto o clube paulista contestou a denúncia do STJD contra o meia Maurício, o rubro-negro foi ainda pior. Baseado em nada, sugeriu um suposto favorecimento dos homens do apito ao rival alviverde. É a mesa de buteco pautando agremiações centenárias.

Quando critico a postura desses e outros clubes, não pretendo entrar no mérito se estão certos ou não. São discursos obviamente populistas, que chegam como música aos ouvidos dos torcedores.

A questão central é lamentar que nenhum deles faz algo realmente concreto pelo crescimento do nosso futebol. Enquanto se atacam por notas oficiais, perdem um tempo precioso para discutir sobre como encher nossos estádios, melhorar os gramados, atrair mais torcedores e, claro, desenvolver a arbitragem.

Afinal, um campeonato de alto nível não se faz apenas com grandes jogadores e bons técnicos. Há importantes detalhes que poderiam ajudar o Campeonato Brasileiro a ser tratado com o devido respeito.

Mas nenhum deles é trabalhado por meio de ataques pela internet. Esses, na verdade, só nos mantêm na posição periférica e desvalorizada com a qual parecemos cada vez mais acostumados.

Sobre o colunista

Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.

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