Art & Move faz da dança um instrumento de transformação para jovens de Itabira
A trajetória do grupo ganha um novo capítulo com a estreia do espetáculo “Atitude”, neste sábado (8), no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade

O Art & Move nasceu de uma necessidade simples, mas carregada de significado: garantir que jovens de Itabira continuassem encontrando na dança um espaço de acolhimento, pertencimento e construção de identidade. O que começou sem sede própria e com ensaios realizados em praças públicas se transformou, ao longo de quatro anos, em um dos principais coletivos de dança urbana da região.
Agora, essa trajetória ganha um novo capítulo com a estreia do espetáculo “Atitude”, neste sábado (8), às 19h, no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade. A montagem, preparada durante dois anos, marca o retorno do grupo a um espetáculo autoral e promete traduzir, em cerca de 50 minutos, a essência do Art & Move por meio da cultura hip hop, reunindo coreografias coletivas e momentos de freestyle. Os ingressos custam R$ 25 e podem ser adquiridos com os integrantes ou pelas redes sociais do coletivo.
Mas, antes mesmo de subir ao palco, o Art & Move já coleciona uma conquista ainda maior: transformar vidas. Foi justamente esse o propósito que motivou a fundadora e coreógrafa Karen Daynide a criar o grupo. Depois de atuar como professora de dança em um projeto social de Itabira, ela percebeu que muitos jovens precisavam abandonar as atividades ao atingirem a idade limite do projeto.
“Eu via jovens muito talentosos que precisavam continuar dançando, fazendo arte e absorvendo cultura. Hoje, além de estarem abraçados pela cultura, eles desenvolvem muitas outras habilidades dentro do grupo, para além da dança”, afirma Karen.
Quem faz parte do Art & Move costuma definir o coletivo com a mesma palavra: família.
Integrante desde 2022, Eduarda Rosa conta que a experiência no grupo lhe proporcionou muito mais do que evolução técnica. “O Art & Move me deixou com mais liberdade para ser quem eu sou e fazer a arte do jeito que sai de dentro de mim. A gente criou um laço muito forte. Nos conectamos não só pela dança, mas também nas conversas, nos abraços. O Art & Move é uma família”, diz.
O mesmo sentimento é compartilhado por Roberta Silveira, de 19 anos. Apaixonada por dança desde a infância, ela diz que entrar no coletivo mudou completamente sua forma de enxergar a si mesma. “Ganhei confiança, autoestima. Foi uma transformação muito grande. E o mais bonito é que a gente realmente se torna uma família. Até quem chegou recentemente já faz parte dessa união”, afirma.
Para Larissa Rosa, a dança se tornou uma ferramenta para expressar emoções e identidade. “A dança é uma forma de eu me expressar, de colocar para fora quem eu sou e o que eu sinto. É também um alívio. É um lugar onde consigo mostrar minha essência.
Identidade, pertencimento e resistência
Entre os depoimentos mais marcantes está o de Jéssica Santos, que atribui ao Art & Move um papel fundamental em sua formação como pessoa. “Uma Jéssica sem o Art & Move não é nem uma possibilidade. O grupo foi um pilar para formar quem eu sou hoje”. Ela conta que foi dentro do coletivo que fortaleceu sua identidade racial e encontrou um ambiente de igualdade e acolhimento.
“Descobri minha identidade racial dentro do Art & Move, me conectei com pessoas parecidas comigo e consegui entender muitas coisas sobre quem eu sou. Quando a gente está com raiva, está no Art & Move. Quando está triste, está no Art & Move. Quando está feliz, também. O Art & Move não representa um sentimento só. Ele representa todos”
Quem acompanhou o nascimento do grupo também reconhece o impacto do projeto. Anna Clara Alves Roberto lembra do convite feito por Karen para criar o coletivo e acredita que a iniciativa ofereceu uma alternativa importante para muitos jovens. “Hoje a gente vê tanta violência e tantas dificuldades. Escolher um caminho que mostra nossa arte e nossa alma faz toda a diferença. O Art & Move me deu força para continuar. Eu amo dançar e amo compartilhar minha arte com meus amigos.”
Segundo os integrantes, “Atitude” vai muito além de uma apresentação artística. O espetáculo representa quatro anos de resistência, construção coletiva e valorização da cultura hip hop em Itabira. Depois de superar a falta de um espaço próprio, ensaiar em praças e construir sua identidade passo a passo, o Art & Move chega ao palco reafirmando o propósito que motivou sua criação: mostrar que a dança também é uma ferramenta de transformação social, autoestima e pertencimento.