Simões não sobe nas pesquisas porque é “elefante em loja de cristal”, diz Marcelo Aro
Após ruptura, Simões acusou Aro de traição, não amenizando as palavras ao desafeto
Em entrevista ao Café com Política na sexta-feira (7), o ex-secretário de Governo de Minas Gerais, Marcelo Aro (PP), respondeu a críticas dirigidas a ele pelo governador Mateus Simões (PSD).
Aro será candidato ao Senado de forma isolada na chapa de Simões e na entrevista teceu críticas ao atual Executivo mineiro, atribuindo a ele a responsabilidade pelo desempenho ruim nas pesquisas.
Antes aliados, Simões e Aro protagonizam agora uma rivalidade política após o ex-secretário de Governo anunciar e articular uma candidatura pela Federação União–PP ao Palácio Tiradentes, posteriormente cancelada.
Após o episódio, Simões acusou Aro de traição, não amenizando as palavras ao desafeto.
Para Marcelo Aro, as dificuldades de aceitação ao nome de Simões são fruto de sua personalidade. “O carisma dele é o carisma de uma geladeira. O Mateus Simões é um elefante em loja de cristal, então, é muito difícil conviver com o Mateus. É um cara extremamente explosivo, ele grita com as pessoas, ele impõe a autoridade dele com coronelismo. Quantas vezes eu peguei o Mateus gritando com os funcionários dele, me respeitem, eu sou o governador”, ressaltou.
Aro relacionou episódios polêmicos em que o governador se envolveu, como na briga com a deputada estadual Lud Falcão (Republicanos) e o ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da AMM Luís Eduardo Falcão (Republicanos). “Esse é o estilo do Mateus. É um cara extremamente explosivo. Porque ele não cresce nas pesquisas? Porque ninguém quer votar no Mateus. Essa é a verdade nua e crua. Eu escutei isso nos últimos anos. Eu fazia força para os prefeitos apoiarem o Mateus. Eu virava para os prefeitos, e falava por mim, pela nossa amizade, ajuda o Mateus”.
Aro reforçou que não fará campanha Mateus Simões e disse que trabalha para viabilizar a candidatura do Cleitinho ao governo do estado, em meio às negociações do parlamentar com o Republicanos. As partes, inclusive, têm reunião agendada e podem selar a candidatura. “Se ele for candidato, terá o meu apoio, e se não for, nós vamos ter que conversar com os demais candidatos e tomar a decisão”.
“O meu trabalho, e eu estou colocando toda a minha expertise, toda a minha experiência, toda a minha habilidade política, é para viabilizar a candidatura de Cleitinho. Hoje eu não trabalho com a opção B. Eu quero muito que o Cleitinho seja candidato e tudo aquilo que eu sei fazer na política, na conversa, com diálogo, eu farei para tentar ajudar”.
Na conversa, Marcelo Aro negou ter traído Simões ao anunciar sua candidatura ao governo de Minas. Segundo Aro, ele foi o traído, após o PSD filiar o senador Carlos Viana na disputa à reeleição, mesmo após Aro ter dito a Simões que não iria compor chapa com Viana. “O traído fui eu. Esse é um comportamento linear no Mateus, disse, relatando outros episódios, como por exemplo, o relacionamento de Simões com o vice-governador Paulo Brant e com o jornalista Eduardo Costa, que foi cotado a vice de Zema em 2022. As tratativas à época não avançaram porque Costa era filiado ao Cidadania, que tinha federação com PSDB, e negaram coligação com o Novo.
“Ele falou que eu agi por conveniência eleitoral. Ele ter saído do Novo e se filiado ao PSD do Kassab foi o quê? Isso é convicção ideológica ou conveniência eleitoral? O Mateus é tão mentiroso que ele fala apra as pessoas que foi meu professor e nunca foi meu professor. Se o Mateus apresentar uma lista de chamada que tem o meu nome de aluno e o dele de professor, eu largo a política. Ele é um mentiroso”.