Brasileira de Bauru vence disputa com 33 mil candidatos e conquista estágio no Banco Mundial

A vontade de estudar fora surgiu ainda no ensino médio, mas, parecia muito distante de sua realidade

Brasileira de Bauru vence disputa com 33 mil candidatos e conquista estágio no Banco Mundial
De Bauru para o mundo: Gabriele Santos vai estagiar no Banco Mundial- Foto: Arquivo pessoal/Via G1

Formada em Relações Internacionais, a brasileira Gabriele Hayashi Santos conquistou uma vaga de estágio no Banco Mundial, concorrendo com 33 mil candidatos que disputavam a vaga na instituição, cujo processo seletivo abre a oportunidade por duas vezes no ano. O estágio começou em maio.

Nascida em Bauru (SP), Gabriele é a primeira da família a falar inglês, e vem de origem humilde.

O pai parou de estudar no ensino fundamental para trabalhar e só retornou aos estudos para conclusão do ensino médio, quando a filha tinha apenas seis anos de idade. A mãe se mudou para Bauru para cursar a universidade.

A vontade de estudar fora surgiu ainda no ensino médio, mas, parecia muito distante de sua realidade,

Sempre tive muita vontade em realizar intercâmbio, mas era algo muito caro para a minha realidade socioeconômica. {…} Foi só depois de muita pesquisa que vi que as pessoas iam até para Harvard com bolsas de estudo, que eu entendi que existe essa possibilidade para quem quer estudar fora”, disse Gabriele em entrevista ao G1.

A descoberta tinha a desconfiança da família. “Minha mãe acreditava até que era tráfico humano, mas, conforme eu fui aplicando e ela foi conhecendo os programas e as pessoas que participavam foi ficando mais tranquila. E na graduação consegui uma bolsa para um curso no Canadá, depois de um mestrado na Alemanha, período em que estagiou na Unesco”.

No ensino médio, Gabriele conquistou bolsas para cursos no exterior sobre liderança, desenvolvimento jovem e empreendedorismo.

O histórico de deslocamento da família era outro. “O contato que minha família tinha tido com ir para fora é o mesmo que boa parte dos descendentes de japoneses no Brasil. Meus parentes iam para o Japão para trabalhar em fábrica e conseguir dinheiro para auxiliar a família”.

Passei a me voltar mais para o ponto de vista econômico dentro de desenvolvimento e governo e me interessar cada vez mais por como a carreira não é só um emprego, ela permite mudar a vida não somente de uma pessoa, mas de todos os membros de uma família”.

A seleção para o Banco Mundial começou com o envio de currículo e carta de apresentação, “onde se conta que está interessada pela oportunidade, como você vai contribuir e por que você acredita que seja a pessoa certa para a vaga”, descreveu Gabriele.

Depois veio uma prova com casos e perguntas quantitativas e de raciocínio, seguida de uma entrevista em painel. “Foi uma prova em que fiquei muito nervosa, porque não é como se tivesse um preparatório específico. Depois disso fui convidada para uma entrevista que costuma ser em painel, com até quatro representantes que podem te fazer perguntas“.

Gabriele quer que agora sua trajetória sirva de exemplo para quem sonha com organismos internacionais. “Eu quero poder contar sobre meu processo e mostrar que um planejamento dentro de organismos internacionais é possível. A gente só precisa saber a estratégia para chegar lá”.

*Fonte: G1/tudoescola